Hungria diz que recuperação após vazamento tóxico levará 1 ano

Governo promete indenização a afetados por "barro vermelho", substância que matou quatro e feriu 120 no país

iG São Paulo |

O secretário de Estado para o Meio Ambiente da Hungria, Zoltan Illés, afirmou nesta quarta-feira que a recuperação das regiões do país afetadas por um vazamento tóxico levará pelo menos um ano. O vazamento de uma lama tóxica de uma empresa de alumínio matou quatro pessoas e feriu 120, além de destruir casas e contaminar rios. Seis pessoas ainda estão desaparecidas.

O secretário classificou o vazamento de "catástrofe ecológica" e disse que será necessário retirar a terra da região afetada para que seja possível voltar a cultivar no local. Esse processo deve levar no mínimo um ano.

O vazamento ocorreu na segunda-feira na cidade de Ajka, depois da ruptura de um dique de um material conhecido como "barro vermelho". Trata-se de uma substância tóxica, corrosiva e alcalina que é formada durante a produção de alumínio.

No momento, uma camada de barro vermelho de dois centímetros de espessura, carregada de metais pesados, está esparramada por 40 quilômetros quadrados, incluindo áreas cultiváveis, e segue avançando em direção ao rio Raab, que desemboca no Danúbio.

Zsolt Szegfalvi, presidente do Greenpeace na Hungria, ressaltou que se trata "da maior catástrofe da Europa relacionada com o chamado barro vermelho", por isso que ninguém tem experiência sobre como tratar a situação.

As autoridades declararam o estado de emergência nas três províncias contaminadas ao oeste do país. Agora, o principal temor é que a lama siga pelo rio Marcal, onde já não é possível encontrar rastros de vida corrente, em direção aos cursos d'água do Raab, o Mosoni Duna e o Danúbio, a pouco mais de cem quilômetros do lugar do acidente. As autoridades trabalham na construção de diques para evitar que o vazamento continue.

Indenização

O chefe de governo húngaro, Viktor Orbán, afirmou que os afetados serão indenizados e anunciou que será aberta uma investigação para esclarecer o acidente.


A Companhia Húngara de Produção e Comércio de Alumínio (MAL), dona do reservatório, classificou o episódio de "catástrofe meteorológica" ao atribuir a ruptura do reservatório às fortes chuvas. A imprensa local informou que a companhia dispõe de um seguro de 37 mil euros.

Embora até o momento não tenha sido possível calcular o tamanho do prejuízo causado pelo vazamento, o secretário de Estado do Meio Ambiente falou em dezenas de milhões de dólares.

Desde a tragédia está proibida a pesca e a caça nas áreas afetadas. O Greenpeace pediu precaução para que as tarefas de limpeza não causem ainda mais danos.

Com EFE

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