Human Rights Watch se diz frustrada com Obama após 1º ano de Governo

Washington, 20 jan (EFE).- A ONG Human Rights Watch (HRW) se declarou hoje frustrada com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que não teria feito o suficiente para defender os direitos humanos durante seu primeiro ano na Casa Branca.

EFE |

"Com Obama houve uma melhora espetacular no discurso", mas as palavras "não levaram a mudanças" na prática, reclamou Kenneth Roth, diretor-executivo da HRW, em entrevista coletiva na qual apresentou o relatório anual da organização.

A associação, com sede em Nova York, elogiou que Obama tenha proibido a tortura, mas criticou a falta de investigações sobre quem a autorizou ou a cometeu em prisões militares ou da Agência Central de Inteligência (CIA).

"Isso estabeleceu um precedente muito perigoso de impunidade, porque o legado da Presidência de (George W.) Bush pode ser o de que é possível torturar e que não há consequências para isso", disse Roth.

Outras organizações de defesa dos direitos humanos também se confessaram decepcionadas com o primeiro ano do Governo Obama, que tomou posse do cargo em 20 de janeiro de 2009, especialmente porque não cumpriu a promessa de fechar a prisão da base de Guantánamo, em Cuba.

Neste sentido, Roth disse que Obama parece ter decidido "acabar com Guantánamo no sentido físico, mas não com os princípios nos quais se baseia".

O diretor-executivo da HRW criticou a manutenção do direito de deter suspeitos de terrorismo de forma indefinida e sua intenção de julgar alguns presos nas cortes militares especiais criadas por Bush, embora com algumas mudanças em suas normas.

A distância entre o discurso e as ações de Obama também fica evidente em sua política no Oriente Médio, segundo a organização.

Do mesmo modo, Obama pediu instituições robustas na África em vez de líderes fortes, mas não fez nada para fortalecê-las, segundo Roth.

O diretor-executivo da HRW também se disse "muito frustrado" com a rejeição do Governo dos EUA ao relatório Goldstone, encomendado pela Comissão de Direitos Humanos da ONU e que acusa Israel e o movimento islamita palestino Hamas de cometer crimes de guerra entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009 na Faixa de Gaza.

"Não há dúvida de que Israel cometeu crimes de guerra em Gaza.

Nós os documentamos", disse.

A HRW também criticou a recusa do presidente americano a se reunir com o Dalai Lama e a declaração da secretária de Estado, Hillary Clinton, de que o assunto dos direitos humanos não interferirá nos interesses dos EUA na China. EFE cma/bba

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