Human Rights Watch pede a Obama para fechar Guantánamo

Washington, 9 jan (EFE).- O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, deve apresentar um plano para fechar o centro de detenções em Guantánamo, Cuba, e o fim dos tribunais militares no lugar, disse hoje a organização Human Rights Watch (HRW).

EFE |

O grupo lembrou em comunicado que, em 11 de janeiro de 2002, chegaram os primeiros 20 detidos, "encapuzados e encadeados", a Guantánamo, onde cerca de 250 homens permanecem detidos, "a maioria deles há quase sete anos".

O centro de detenções de Guantánamo "minou a autoridade moral dos EUA", disse Jennifer Daskal, advogada especialista em assuntos antiterroristas da Human Rights Watch.

"O presidente Obama deve fazer do fechamento do centro de detenções uma de suas primeiras ações", acrescentou Daskal em comunicado.

A especialista recomendou que, como primeiro passo, Obama nomeie um grupo de trabalho de alto nível para que revise os arquivos dos detidos e decida quem merece a liberdade e quem deve ser levado a julgamento.

"Os que estiverem envolvidos em crimes graves devem ser levados aos EUA para serem processados em um tribunal federal, e o resto deve ser enviado a seus países de origem ou a terceiras nações para serem alocados", declarou Daskal.

Ela acrescentou que a Administração de Obama também deve permitir a entrada aos EUA de alguns dos detidos cuja liberdade já foi prevista, mas que não podem voltar a seus países pela possibilidade de que sejam torturados ou perseguidos.

Calcula-se que 60 detidos receberam autorização para sua liberdade ou transferência, inclusive há anos, mas não podem voltar a seus lugares de origem, os EUA não admitem e nenhum terceiro país os aceita, segundo a HRW.

Daskal também recomendou que Obama aumente as negociações com aliados dos EUA no mundo para encontrar solução aos casos de outros detidos, continuou a advogada.

Nesse último grupo estão 17 chineses uigures que foram declarados "combatentes inimigos", mas que não podem retornar à China devido a "temores críveis" de que, ao retornar, serão torturados, explicou Daskal.

Ela considerou ainda que Obama deve resistir a qualquer apelo para criar um sistema de "detenções preventivas" nos EUA como "solução" ao problema atual, porque, em sua opinião, este teria os mesmos grandes defeitos do sistema de Guantánamo, entre estes as detenções indefinidas sem apresentação de acusações. EFE mp/db

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