Humala toma posse como presidente do Peru sem a presença de Alan García

Ex-líder entregou faixa presidencial antes de cerimônia de posse, na qual Humala evocou Constituição de 1979 e foi vaiado por fujimoristas

iG São Paulo |

O militar reformado Ollanta Humala, de 49 anos, tomou posse nesta quinta-feira como novo presidente do Peru, em uma cerimônia realizada na sede do Congresso de Lima, sem a presença do ex-presidente peruano Alan García.

"Juro pela pátria que exercerei fielmente o cargo de presidente da República", afirmou diante do presidente do Congresso, Daniel Abugattás, e de vários chefes de Estado e delegações de mais de uma centena de países.

AP
Humala durante cerimônia de posse no Congresso Nacional em Lima, nesta quinta-feira
Antes da cerimônia, García entregou a faixa presidencial ao chefe da casa militar no palácio de governo e deixou o local sem participar da posse de seu sucessor. O ex-presidente saiu pelo pátio da frente do palácio do governo, cercado pelo gabinete ministerial e colaboradores, tirou a faixa e uma medalha e as entregou ao chefe militar, Jaime Araújo, em meio aos aplausos dos presentes.

García já havia anunciado que só iria ao Congresso com o compromisso dos parlamentares de que não seria vaiado como ocorreu em 1990, ao final de seus primeiros cinco anos de governo.

Na cerimônia de posse desta quinta-feira ainda, Humala afirmou que defenderá a “soberania nacional e a ordem constitucional”, ao ressaltar os valores da Constituição de 1979, que em 1993 foi modificada pelo ex-presidente Alberto Fujimori. Ao citar a Carta, Humala foi vaiado pela bancada fujimorista.

As vaias foram respondidas pela bancada governista da coalizão nacionalista Ganha Peru durante o evento do qual participaram 15 presidentes latino-americanos, além do príncipe de Astúrias, o herdeiro da coroa espanhola Felipe de Bourbon, e cerca de 100 delegações de outros países.

Gabinete

De formação militar, Humala assustava os investidores com uma retórica agressiva, mas acabou sendo eleito em junho com promessas de adotar uma "esquerda de mercado" e se inspirar no ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

Analistas apontam, no entanto, que o gabinete que Humala montou é mais conservador do que o ministério nomeado por Lula quando tomou posse para seu primeiro mandato, em 2003.

Isso sugere que Humala manterá intacto o atual modelo econômico, mas intensificará a luta contra a pobreza, problema que aflige cerca de um terço da população do Peru, país que tem um dos mais expressivos crescimentos econômicos do mundo atualmente.

Luis Miguel Castilla e Julio Velarde, dois economistas adorados por Wall Street, serão respectivamente ministro das Finanças e presidente do Banco Central. A Bolsa de Lima disparou diante da notícia, com a moeda local chegando à sua maior cotação em três anos. Castilla e Velarde, ambos doutores em economia por universidades de ponta dos Estados Unidos, trabalharam no governo de Alan García, de tendência liberal.

Roberto Stuckert Filho/Presidência da República
Presidenta Dilma Rousseff e chefes de Estado durante revista às tropas na cerimônia de posse de Ollanta Humala, no Peru
O novo presidente também escolheu o empresário José Luiz Silva Martinot para comandar os ministérios do Turismo e do Comércio, indicando que levará adiante muitos acordos de livre comércio do Peru, assim como alianças com parceiros como China e EUA.

*Com AFP, Reuters e EFE

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