Humala rejeita ter recebido US$ 12 milhões de Chávez

Candidato de esquerda à presidência do Peru ganha terreno e sobe nas pesquisas de opinião, dias antes do segundo turno no domingo

iG São Paulo |

A dois dias do segundo turno que definirá quem será o novo presidente peruano, o esquerdista Ollanta Humala vem conquistando terreno nas pesquisas de opinião e ameaça a liderança da rival Keiko Fujimori, que tenta reverter o crescimento do adversário, ao se aproveitar de acusações lançadas contra o candidato do Partido Nacionalista Peruano, de que ele teria recebido US$ 12 milhões (R$ 18,9 milhões) do presidente venezuelano, Hugo Chávez, para financiamento de campanha.

EFE
Ollanta Humala cumprimenta eleitores em Lima (2/6/2011)
As acusações foram rejeitadas por Humala, que classificou-as de “calúnia”. “Rejeitamos totalmente essa calúnia e a atitude irresponsável de um ex-embaixador, a título pessoal, que diz mentiras sem apresentar provas", disse sobre as declarações do ex-secretário americano Roger Noriega.

Na noite de quinta-feira, o canal Univisión, que tem transmissão para a comunidade latina dos EUA, apresentou uma entrevista com o ex-secretário americano para a América Latina, Roger Noriega, denunciando o repasse do dinheiro de Chávez efetuado nos últimos 6 meses. Segundo Noriega, a verba foi mandada através da Bolívia, com a ajuda de assessores brasileiros, embora tenha se recusado a dar provas pedidas pela Univisión.

"É uma mentira sem provas. Isso mostra o claro desespero dos fujimoristas. Peço provas de suas acusações. Há uma conexão clara do fujimorismo com esse personagem", acrescentou o candidato.

Humala, um ex-militar de esquerda, afirmou diversas vezes ao longo da campanha que não possui vínculos com Chávez, embora o presidente venezuelano tenha expressado simpatia por ele, em 2006, quando também se candidatou no Peru.

Pesquisas

O crescimento de Humala nas pesquisas de opinião vem inquietando os mercados financeiros, já que os investidores temem que ele imporá um controle mais rigoroso do Estado sobre a economia.

De acordo com a pesquisa Datum desta sexta-feira, Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), apresentou uma queda em sua liderança sobre Humala de 2 pontos para apenas 1,2 ponto. Já o instituto de pesquisa Ipsos Apoyo mostra a conservadora com 51,1% dos votos válidos contra 48,9% de Humala.

Humala, que perdeu por uma pequena margem a eleição de 2006, procurou obter os votos dos eleitores moderados, amenizando sua retórica anticapitalista e os insultos contra Fujimori, de 36 anos, por ter trabalhado no governo de seu pai, Alberto Fujimori (1990-2000), envolto em polêmicas e acusações sobre violações aos direitos humanos.

Investidores temem que Humala implemente políticas intervencionistas, aumente os gastos sociais e enfraqueça a estabilidade fiscal de uma das economias que crescem com maior rapidez no mundo. O Peru cresceu com quase a mesma velocidade da China nos últimos anos, mas um terço dos peruanos ainda vive na pobreza.

Comícios

O fim da campanha oficial foi marcado por grandes comícios com a presença de milhares de partidários, na noite de quinta-feira.

Refletindo a polarização e a intensa rivalidade do segundo turno, os palanques de cada candidato estavam distantes apenas 1,5 quilômetro e os comícios finais ocorreram quase que simultaneamente em Lima.

EFE
Keiko Fujimori faz comício final da campanha para o segundo turno (2/6/2011)
Humala pediu que os eleitores não tivessem medo da mudança que ele representava e atacou Keiko, alegando que ela representa a continuidade do governo de seu pai, condenado em 2009 a 25 anos de prisão por violação de direitos humanos no país.

Tomada por bandeiras laranjas, a multidão na outra ponta da avenida ouviu Keiko prometer intensificar os programas sociais e anunciar que fariam parte de seu governo os candidatos derrotados do primeiro turno que a estão apoiando, como Pedro Pablo Kucynski.

*Com EFE, Reuters e BBC

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