Hugo Chávez expulsa eurodeputado que o chamou de ditador e criticou referendo

O eurodeputado espanhol Luis Herrero foi expulso na noite de sexta-feira da Venezuela, depois de ter chamado o presidente Hugo Chávez de ditador e criticado o organismo que coordena as eleições no país.

AFP |

"Em cumprimento às instruções do poder eleitoral e garantindo o acostumado respeito aos direitos humanos, convidamos o eurodeputado Luis Herrero a abandonar o país", afirma um comunicado do ministério das Relações Exteriores.

Herrero, que pertence ao Partido Popular (PP, direita) da Espanha e estava na Venezuela para acompanhar o referendo de domingo, a convite de um partido de oposição, viajou para a cidade de São Paulo.

O político espanhol criticou o governo venezuelano e a organização do referendo sobre uma emenda constitucional. Com isto, a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, solicitou que fosse convidado a deixar o país.

Herrero havia pedido aos venezuelanos "votar em liberdade e que jamais votem deixando-se levar pelo medo que premeditadamente um ditador está tentando impor".

Em função disso, o ministério espanhol das Relações Exteriores anunciou que convocará em breve o embaixador venezuelano em Madri para protestar contra o tratamento do país ao eurodeputado espanhol.

"O embaixador será convocado para que explique a situação", afirmou à AFP uma fonte diplomática espanhola.

"Serão expressadas as queixas do governo sobre as formas e o tratamento recebido pelo eurodeputado Luis Herrero, do Partido Popular (PP, direita)", acrescentou.

O embaixador será recebido pelo diretor geral de Política Externa para a Iberoamérica, Juan Carlos Sánchez.

Colegas de Herrero, como o eurodiputado espanhol Carlos Irtugáiz, questionaram o respeito às garantias individuais na Venezuela.

"Atitudes como esta do governo nos dão o que pensar do respeito às garantias individuais na Venezuela", afirmou Irtugáiz, do Partido Popular (PP, direita), o mesmo de Herrero.

O presidente Hugo Chávez, por sua vez, considerou lamentável e indigna a atitude de Herrero, mas disse acreditar que o incidente não afetará as relações de seu país com a Espanha.

"Lamento que venha um cidadão de outro país, membro do Parlamento Europeu, desrespeitar a Venezuela, se povo e instituições venezuelanos", declarou Chávez em uma coletiva de imprensa.

"Faço fé que esse lamentável incidente ocorrid de maneira intencional por parte desse deputado indigno não prejudique em nada as excelentes relações que temos com o governo espanho e com o povo espanhol, de quem gostamos muito", declarou.

Pelo menos 98 representantes internacionais, procedentes de 25 países, acompanharão o referendo sobre uma emenda constitucional, em 15 de fevereiro, na Venezuela, informou o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) venezuelano.

Entre os convidados pelo CNE, estão representantes de órgãos eleitorais da América Latina, deputados do Parlamento Europeu e pesquisadores de universidades européias.

Os observadores vão acompanhar o processo, mas não poderão elaborar um relatório técnico conjunto sobre o referendo deste domingo.

vg/fp/cn

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