HAVANA (Reuters) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chegou na sexta-feira a Havana para preparar junto com Raúl e Fidel Castro uma reunião de líderes regionais antes da Cúpula das Américas, informou a imprensa estatal cubana. Chávez, que chegou a Cuba após viagem pela Ásia, foi recebido na madrugada de sexta pelo presidente Raúl Castro com um abraço ao descer do avião, segundo imagens da televisão estatal.

"O objetivo de sua presença em Cuba é preparar, junto com Fidel e Raúl, a cúpula da Alba, que ocorrerá em 16 de abril em Caracas", disse a emissora estatal Rádio Rebelde.

A Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) é uma plataforma de integração regional promovida por Chávez.

A reunião em Caracas ocorrerá na véspera da Cúpula das Américas, que reunirá entre os dias 17 e 19 em Trinidad e Tobago mais de 30 líderes da região e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Chávez e outros líderes da América Latina e do Caribe disseram que aproveitarão a ocasião para pedir a Obama a suspensão do embargo norte-americano de 47 anos contra Cuba.

O presidente venezuelano, principal aliado político e econômico de Cuba, disse esta semana que a cúpula da Alba será uma ocasião para discutir e delinear posições comuns antes da reunião em Trinidad e Tobago.

Deverão comparecer à reunião em Caracas o presidente boliviano, Evo Morales, o primeiro-ministro da República Dominicana, Roosvelt Skerrit, o presidente hondurenho, Manuel Zelaya, o nicaragüense Daniel Ortega e o paraguaio Fernando Lugo, que participará como convidado. Cuba ainda não anunciou seu representante.

Cuba é o único país da região que não participa da Cúpula das Américas, onde estarão presentes 34 países da região.

Chávez visita freqüentemente Havana para conversar com o líder Fidel Castro, o qual considera um "pai" político e que está afastado do poder desde que adoeceu há quase três anos.

O mandatário boliviano Morales, outro forte aliado de Cuba, propôs esta semana aos países "anticolonialistas, anti-imperialistas e antineoliberais" a criação de uma frente antiembargo antes da abertura da Cúpula das Américas.

Os EUA, que enfrentam um clamor regional com pedidos para normalizar seus vínculos com Cuba, não querem que o espinhoso tema da ilha domine a reunião de Trinidad e Tobago.

Obama, que assumiu a presidência em janeiro, prometeu abrandar o embargo comercial e abrir canais de diálogo com os líderes cubanos. No entanto, declarou durante sua campanha que o embargo não será completamente eliminado a fim de continuar pressionando por reformas na ilha de governo comunista.

(Reportagem de Nelson Acosta)

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