Hugh Grant sugere que grampos vão além de tabloide de Murdoch

Ator britânico é uma das celebridades a depor em inquérito sobre a imprensa estabelecido após o escândalo das escutas telefônicas

iG São Paulo |

O ator Hugh Grant sugeriu nesta segunda-feira que seu telefone foi grampeado pelo tabloide britânico Mail on Sunday, o que representa sua primeira acusação a uma publicação que não pertence ao grupo de Rupert Murdoch, alvo dos escândalos sobre escutas ilegais .

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Ator britânico Hugh Grant chega ao Tribunal de Justiça no centro de Londres, Reino Unido

As afirmações da estrela de Um Lugar Chamado Nothing Hill e outros filmes aconteceram durante um inquérito público sobre os padrões de imprensa estabelecido após o escândalo dos grampos telefônicos que envolveu o braço britânico da News Corp , a News International.

O magnata da mídia Rupert Murdoch fechou seu tabloide News of the World em julho depois das evidências de que, rotineiramente, eram realizados grampos telefônicos de figuras públicas, celebridades e até de vítimas de crimes, para a obtenção de furos de reportagem.

Durante a audiência, realizada no Tribunal Real de Justiça, no Reino Unido, Grant disse que uma reportagem sobre sua vida amorosa publicada em 2007 só poderia ter sido feita com informações obtidas por meio de grampos na caixa de mensagens de voz de seu telefone.

Grant afirmou que não conseguia pensar em outra forma de o jornal ter conseguido essa informação. Na ocasião, o tabloide publicou que o namoro do ator com Jemima Khan estava indo mal por conta de suas conversas com uma mulher de "voz sexy" que o jornal apontou como sendo de uma executiva de um estúdio cinematográfico.

O ator disse nesta segunda que essa mulher não existe, mas que ele recebeu na época mensagens de voz de uma assistente de um produtor amigo seu. "Ela deixou mensagens charmosas, brincando... e ela tinha uma voz que só poderia ser descrita como sexy", disse. Na ocasião, Grant processou o jornal por difamação e ganhou.

Questionado se estava especulando sobre a fonte da reportagem, Grant disse que sabia que não tinha nenhuma prova concreta. "Especulação? Ok, mas... eu adoraria ouvir a explicação do Daily Mail ou do Mail on Sunday para qual foi a fonte se não um grampo telefônico."

Grant é um dos depoentes famosos, que incluem a atriz Sienna Miller e a autora J.K Rowling, que irão testemunhar sobre como foram seguidos, fotografados, invadidos e assediados por jornalistas de tabloides.

O ator, um grande crítico da intromissão da mídia na vida íntima das celebridades, sorriu aos fotógrafos ao chegar no Tribunal Real de Justiça.

Milly Dowler

As primeiras testemunhas a depor nesta segunda-feira foram os pais da adolescente assassinada Milly Dowler , cujas mensagens de voz de seu telefone celular foram grampeadas depois de seu desaparecimento em 2002.

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Bob e Sally Dowler, pais da adolescente assassinada Milly Dowler, chegam ao Tribunal londrino


Sua mãe afirmou que a escuta realizada por um detetive particular deu ao casal falsas esperanças sobre o sumiço de sua filha. Sally Dowler relatou que ela e seu marido, Bob, ligaram repetidas vezes para o celular da menina de 13 anos nas semanas após o desaparecimento, até que a caixa de mensagens de voz ficou cheia.

De acordo com Sally, quando ela conseguiu acessar a caixa novamente ela comemorou. "Eu pulei e disse: 'Ela acessou as mensagens de voz... ela está viva'."

Na verdade, as mensagens do telefone de Milly tinham sido deletadas pelo detetive particular que trabalhava no tabloide News of the World enquanto a família Dowler e a polícia ainda procuravam pela menina, que depois foi encontrada morta.

Os pais da garota disseram que entraram em choque quando a polícia lhes contou que o telefone de Milly havia sido grampeado. "Eu não consegui dormir por três noites. Quando nos deram essa informação, foi muito difícil processá-la", disse Sally.

Bob disse que reconheceu imediatamente que essa informação era uma "dinamite". A notícia que os jornalistas do tabloide haviam perseguido não apenas celebridades mas também uma garota que foi assassinada indignou muitos britânicos e desencadeou uma investigação policial e recriminações por toda mídia.

Os pais de Milly compareceram ao inquérito juntos e falaram com calma durante os 30 minutos de seu testemunho televisionado nacionalmente.

Eles descreveram seu choque e raiva quando a caminhada que fizeram para retomar os últimos passos de sua filha desaparecida foi secretamente fotografada pelo tabloide. Sally disse que ela e seu marido não faziam ideia que estavam sendo observados enquanto andavam perto de sua casa em maio de 2002, mas dias depois, viram fotos publicadas no News of the World.

"Era uma intromissão em um momento muito, muito doloroso e íntimo", disse. O casal afirmou que depois percebeu que seu próprio telefone, assim como o de sua filha, tinha sido grampeado.

Dezenas de jornalistas e editores do News of the World foram presos e muitos executivos pediram demissão durante o escândalo. Dois oficiais de alto escalão da polícia londrina perderam seu emprego, assim como o ex-assessor de imprensa de Cameron .

O inquérito, conduzido pelo juíz Brian Leveson, poderá recomendar grandes mudanças na maneira como a mídia no Reino Unido é regulada.

Joan Smith

A segunda testemunha a depor nesta segunda-feira foi a jornalista e romancista Joan Smith, cujo telefone foi grampeado enquanto ela tinha um relacionamento com um político, Denis MacShane. Joan disse que ficou chocada quando a polícia disse seu nome e detalhes da sua vida que estavam no notebook do detetive particular Glenn Mulcaire, que trabalhou para o News of the World e foi preso em 2007.

"Eu não acho que sou alguém cuja vida particular seja de grande interesse para o público leitor", disse. "Isso podia aconteceu quase com qualquer pessoa. Não é uma coisa surpreendente. Você não precisa ser um ator ou atriz incrivelmente famoso. Você só precisa estar na órbita de alguém conhecido."

Graham Shear, advogado que representa muitas celebridades, também está processando o tabloide News of the World, alegando que as caixas de mensagens dele e de seus clientes foram grampeadas.

Ele afirmou que o jornalismo de tabloide é "um modelo de negócio que se tornou dependente e apaixonafo por histórias sensacionalistas e excitantes".

Com AP e BBC

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