Antonio Martínez. Havana, 18 nov (EFE).- O presidente da China, Hu Jintao, se reuniu hoje em Havana com Fidel Castro e com o atual governante da ilha, seu irmão mais novo Raúl, que chegou a cantar em chinês para o visitante.

Um comunicado indica que Fidel e Hu tiveram "um fraternal encontro" na manhã, uma prova dos "laços amistosos" entre os dois países, Governos e partidos.

Fidel Castro, de 82 anos, é primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba e o líder chinês, de 65, é secretário-geral do seu.

A televisão estatal local mostrou uma foto dos dois dirigentes, na qual o líder cubano aparece de pé, vestindo uma roupa esportiva com as cores da bandeira cubana (branco, azul e vermelho), da mesma forma que nas outras imagens suas dos últimos dois anos.

O líder cubano não aparece em público desde julho de 2006, quando sofreu uma aguda crise intestinal.

Ele, então, foi obrigado a ceder a Presidência a Raúl, primeiro provisoriamente e, desde fevereiro, de forma definitiva, e só foram divulgadas fotos e vídeos dele ocasionalmente, sobretudo por ocasião de visitas de líderes estrangeiros.

O comunicado diz que Fidel e Hu "coincidiram na análise da complexa situação internacional, na importância que tem essa visita e os acordos que serão assinados entre Cuba e China".

Hoje, Hu também se reuniu com o general Raúl Castro e ambos presidiram a assinatura de acordos que aumentarão e aprofundarão a cooperação bilateral, disseram fontes oficiais.

O líder chinês chegou a Havana na segunda-feira à noite procedente de Washington e San José da Costa Rica, e partirá na quarta-feira de manhã para Lima.

Raúl Castro encerrou hoje com uma canção em chinês um encontro de Hu com mais de 300 jovens chineses que estudam espanhol em Cuba.

"Não tenho a memória que Fidel tem, mas ainda me lembro desta canção", disse o governante cubano.

Raúl cantou entre os aplausos do auditório, integrado por jovens chineses, funcionários e jornalistas que acompanham Hu em sua segunda viagem pela América Latina (a primeira foi em 2004).

O atual presidente de Cuba lembrou que, em 1953, quando ainda era um estudante, viajou a Viena para um congresso sobre direitos da juventude, e na capital austríaca teve tempo de se relacionar com a delegação chinesa.

"Os chineses chegaram alguns dias antes, assim como eu, e passamos a ensinar canções uns aos outros. Nessa época surgiram as únicas palavras em chinês que conheço", disse.

O general qualificou seu gesto como uma "homenagem" aos estudantes chineses na ilha, que iniciaram o ato recitando em espanhol um poema do poeta cubano Nicolás Guillén.

Hu ressaltou que "os últimos anos foram testemunhas do desenvolvimento integral da amizade e da cooperação em diversas áreas entre os dois países".

"Cuba foi o primeiro país latino-americano a aceitar alunos chineses e também o país latino-americano que mais estudantes chineses recebeu", destacou.

Entre 2006 e 2011, Cuba "formará" mais de cinco mil estudantes chineses, em um projeto que Hu qualificou como a "maior troca educativa após o restabelecimento das relações diplomáticas bilaterais, em 1960".

O visitante lembrou que é um projeto "criado e promovido pelo próprio Fidel Castro", e ressaltou o fato de que seu irmão Raúl dê "muita atenção às condições de vida e estudo dos estudantes chineses".

Desde 2006 chegaram à ilha 2.544 estudantes chineses para cursar espanhol, e 1.435 já se graduaram.

Cuba também permitiu que os estudantes chineses possam continuar na ilha para cursar estudos universitários de Idiomas, Medicina, Enfermaria, Turismo, Pedagogia e Psicologia, caso tenham interesse.

EFE am/mh

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