Hu Jintao reafirma compromisso com desnuclearização da Coréia do Norte

Cecilia Heesook Paek Seul, 25 ago (EFE).- O presidente da China, Hu Jintao, reafirmou hoje seu compromisso em cooperar com a desnuclearização da Coréia do Norte e em estreitar as relações entre Pequim e Seul, na sua primeira viagem ao exterior depois do encerramento dos Jogos Olímpicos.

EFE |

No comunicado conjunto emitido por Hu e pelo presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, os líderes se comprometeram a reforçar a cooperação na busca por uma solução ao problema nuclear por meio do diálogo de seis lados entre Coréia do Sul, Coréia do Norte, China, Rússia, Japão e Estados Unidos.

O processo de desnuclearização está estagnado devido às divergências entre Washington e Pyongyang sobre a verificação da informação que o país comunista entregou em junho.

Alguns analistas locais consideram que Pequim adotará um papel mais ativo no conflito nuclear norte-coreano, com o objetivo de desbloquear o processo.

Por outro lado, ambos os presidentes, que não responderam a perguntas de jornalistas após o encontro, concordaram em reforçar as relações econômicas entre China e Coréia do Sul.

O objetivo é aumentar o volume comercial para US$ 200 bilhões em 2010, dois anos antes do previsto anteriormente, em comparação com os US$ 145 bilhões ao ano de intercâmbios atuais.

Entre as iniciativas anunciadas pelos presidentes está a intenção de promover o turismo, motivo pelo qual designaram 2010 e 2012 como datas de visita à China e à Coréia, respectivamente.

Além disso, os dois presidentes aceitaram estreitar a coordenação política na esfera internacional em assuntos como mudança climática e luta contra o terrorismo.

Apesar da vontade de mostrar unidade de ambos os líderes, a reunião foi realizada em meio a um clima de desgosto na Coréia do Sul, depois que a China descreveu como "Mar do Japão" o mar situado entre a península da Coréia e do Japão durante a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos.

O Governo de Seul já expressou seu receio ao Governo de Pequim, depois da cerimônia em que esta região foi descrita como Mar do Japão, ao invés de Mar Oriental, termo utilizado na Coréia do Sul.

Também gerou preocupação na Coréia do Sul a crescente hostilidade por parte do povo chinês em relação aos sul-coreanos, sentimento percebido durante os Jogos Olímpicos.

O presidente da China deve se reunir nesta terça-feira com o primeiro-ministro sul-coreano, Han Seung-soo, e com empresários antes de concluir sua viagem à Coréia do Sul.

Coincidindo com a chegada do presidente da China a Seul, ativistas de vários grupos civis se manifestaram para pedir a Hu que interrompa a política chinesa de extraditar os norte-coreanos que se refugiam na China.

Estes refugiados correm riscos de sofrer represálias na Coréia do Norte quando são entregues ao Governo.

"O Governo chinês os repatria sabendo muito bem como vão ser tratados na Coréia do Norte", disse Han Chang kweon, chefe da Associação de Refugiados norte-coreanos.

Em meio a cartazes com dizeres como "Parem a brutalidade" e "Não à repatriação à Coréia do Norte", refugiados norte-coreanos e ativistas se reuniram no centro de Seul, em uma área próxima à Casa Presidencial, onde foi realizada a reunião.

Calcula-se que haja milhares de refugiados norte-coreanos na China que desejam conseguir asilo na Coréia do Sul, mas, segundo os ativistas, a China repatria pelo menos 100 norte-coreanos por semana.

A China considera estes refugiados como emigrantes econômicos, e tem assinado tratados com Pyongyang para devolver refugiados à Coréia do Norte. EFE ce/fh/gs

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