Hu Jintao inicia 1ª visita de um chefe de Estado chinês ao Japão em 10 anos

Isabel Conde Tóquio, 6 mai (EFE).- O presidente da China, Hu Jintao, chegou hoje a Tóquio na primeira visita de um chefe de Estado chinês ao Japão em uma década, um sinal da melhora da relação entres dois países que compartilham uma história conflituosa.

EFE |

A visita oficial, de cinco dias, a mais longa feita por Hu ao exterior, procura garantir a melhora nas relações bilaterais entre os dois gigantes asiáticos, especialmente desde que Junichiro Koizumi deixou o Governo japonês em 2006 e Tóquio evitou criar atritos com a China.

Durante sua viagem, o presidente chinês se reunirá com o primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, e com o imperador Akihito e a imperatriz Michiko, apesar de a agenda de hoje, feriado no Japão, ser em sua maior parte privada.

Hoje à noite, Hu jantará com Fukuda, com quem, após uma cerimônia oficial de boas-vindas, terá uma reunião amanhã para tratar de alguns dos temas que marcam as relações entre China e Japão.

Tóquio espera que possa ser alcançado um acordo sobre o maior assunto bilateral pendente com Pequim, os direitos de exploração de gás nas águas limítrofes do Mar da China Oriental. Porém, o anúncio poderia se limitar a marcar uma data limite, segundo a agência de notícias japonesa "Kyodo".

Hu e Fukuda também falarão da polêmica surgida pela intoxicação no Japão de pastéis chineses congelados, da mudança climática e, possivelmente, da situação do Tibete.

O Governo do Japão pediu maior transparência para a China na questão tibetana, e expressou que espera que os Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, sejam um sucesso.

Enquanto o avião que trazia Hu ao Japão aterrissava hoje no Aeroporto de Haneda, dois mil manifestantes pró-tibetanos marchavam pelo centro de Tóquio para protestarem contra a política da China no Tibete e a realização dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Os manifestantes, que gritavam "Free Tibet" ("Tibete livre", em inglês), levavam cartazes com mensagens em prol do Tibete, retratos do dalai lama - líder espiritual dos tibetanos - e usavam camisas com fotos de algemas representando os anéis olímpicos.

De hoje até sábado, a Polícia japonesa usará um contingente de 6.600 agentes para aumentar as medidas de segurança durante a visita de Hu.

Acompanhado de sua esposa, Liu Yongqing, Hu chegou hoje a Tóquio em um avião da Air China e, pouco após pisar em solo japonês, a agência chinesa "Xinhua", citada pela "Kyodo", divulgou um comunicado no qual o chefe de Estado chinês destacava a importância da viagem.

"O desenvolvimento de uma relação estável, amistosa e a longo prazo entre China e Japão faz parte dos interesses fundamentais dos dois países e dos dois povos", dizia o comunicado.

Esta visita segue uma realizada no ano passado pelo primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, quando defendeu o aquecimento das relações entre a China e o Japão e urgiu os dois países a aprenderem as lições de seu "infeliz passado" histórico.

As relações entre o Japão e a China melhoraram desde o fim do Governo de Koizumi, que irritou Pequim com suas freqüentes visitas ao Santuário de Yasukuni, símbolo do militarismo japonês, pois ali se honra a memória de 14 criminosos de guerra japoneses.

Desde setembro de 2006, nem o sucessor de Koizumi, Shinzo Abe, nem Fukuda visitaram Yasukuni, e em muitos gestos tentaram expressar seus respectivos desejos de boas relações com a China.

A agenda de Hu no Japão também inclui um jantar oficial no Palácio Imperial com o imperador Akihito e a imperatriz Michiko, uma visita ao bairro chinês de Yokohama e viagens a Osaka e Nara.

Além disso, Hu fará um discurso na Universidade de Waseda, em Tóquio, após o qual jogará uma partida de tênis de mesa com Fukuda.

As jogadoras profissionais de tênis de mesa Ai Fukuhara (Japão) e a campeã olímpica Wang Nan (China) participarão do ato no qual, segundo o jornal japonês "Yomiuri Shimbun", Hu poderia jogar contra Fukuhara. EFE icr/wr/fal

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