Hu Jintao conclui visita de tom conciliador de cinco dias ao Japão

Patricia Souza Tóquio, 10 mai (EFE).- O presidente da China, Hu Jintao, encerrou hoje uma histórica visita ao Japão, dominada por gestos conciliadores e pela intenção de deixar para trás o conflituoso passado entre os dois países, tradicionalmente adversários.

EFE |

Sem grandes acordos, os dois gigantes asiáticos constataram durante a visita oficial - a primeira em uma década de um presidente chinês ao Japão - que são parceiros e que não existe uma ameaça mútua, sinalizando sua decisão de colaborar de forma pragmática no futuro.

Japão e China, historicamente rivais no âmbito político, mas há muito tempo parceiros na área econômica, estão interessados em estreitar seus laços até "um novo ponto histórico", segundo destacaram Hu e o primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, em comunicado conjunto.

A visita "conseguiu resultados e promoverá as relações bilaterais no futuro", afirmou hoje o chefe de Estado chinês antes de deixar o Japão de volta a Pequim.

Da "diplomacia do pingue-pongue" à do "panda", Hu se esforçou em sua visita de cinco dias para destacar o que une e não o que separa China e Japão e em expressar a necessidade de superar um passado que os tornou inimigos durante décadas.

Hu visitou hoje os templos históricos da antiga capital japonesa, Nara (centro), entre eles o de Toshodaiji, construído pelo monge chinês Ganjin em 759, outro símbolo da cooperação entre os dois países.

"O que é mais importante para os povos da China e do Japão é herdar o espírito de Jingzhen, promover e desenvolver as relações bilaterais", declarou o chefe de Estado chinês em Nara, onde foi protegido de manifestantes pró-Tibete por três mil policiais, afirma a agência "Kyodo".

O presidente chinês lembrou a história comum entre Japão e China - as invasões japonesas nos anos 1930 e 1940 antes da Segunda Guerra Mundial - em tom conciliador.

Ao invés de Hu acusar os japoneses pelas atrocidades, como fez seu antecessor, Jiang Zemin - o único chefe de Estado da China comunista a visitar o Japão -, ele disse que "esta história infeliz não só causou tremendo sofrimento à população chinesa, mas também feriu gravemente a japonesa".

"A história deve servir para aprender com o passado e não para criar sentimentos negativos", declarou Hu em discurso na última quinta.

Durante sua viagem, o chefe de Estado chinês foi recebido em três ocasiões pelos imperadores do Japão - honra pouco freqüente -, fez uma oferta de empréstimo de dois pandas para substituir Ling Ling, que morreu recentemente no zoológico de Tóquio, jogou "pingue-pongue" com uma campeã japonesa e se reuniu com grupos de amizade sino-japoneses.

A viagem serviu para que Hu e Fukuda normalizassem as relações entre os dois países após o parêntese criado por Jiang e pelo ex-primeiro-ministro japonês Junichiro Koizumi (2000-2006), que irritou a China com suas constantes visitas ao santuário Yasukuni, onde se honra a memória de alguns criminosos de guerra.

Hu e Fukuda, conhecido por sua postura conciliadora em relação à China, se comprometeram em fazer com que seus países "não sejam uma ameaça mútua" e concordaram em manter reuniões anualmente, alternadamente em cada país.

Também não aconteceram grandes acordos apesar do desejo japonês de conseguir avanços substanciais na disputa pela exploração de gás no Mar da China Oriental.

Tóquio queria pelo menos estabelecer uma data para resolver seu conflito com Pequim por estas jazidas de gás nas águas limítrofes, mas teve que se conformar em expressar a necessidade de solucionar o assunto o mais rápido possível.

Outros temas espinhosos, como o Tibete, ficaram em segundo plano, mas milhares de manifestantes receberam Hu em sua chegada a Tóquio, e o premiê japonês pediu à China para se esforçar para dialogar com o dalai lama.

As manifestações pró-Tibete foram intensas durante a viagem do presidente chinês ao Japão, mas não a ponto de colocar em risco a segurança ou prejudicar os anfitriões japoneses, que organizaram um esquema de segurança que contou com mais de seis mil policiais. EFE psh/wr/fal

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