O presidente chinês Hu Jintao cancelou sua participação no encontro do G8 e retornou as pressas à China para lidar com a onda de violência étnica que assola a província de Xinjiang, no noroeste do país, informou a imprensa estatal chinesa nesta quarta-feira. Hu Jintao estava na Itália, onde participaria da reunião do G8 na quinta-feira.

Devido à sua ausência, a China agora será representada pelo conselheiro de Estado Dai Bingguo.

Após a Itália, Hu Jintao passaria por Portugal, mas a viagem a Lisboa também foi cancelada e não há previsão de uma nova data para a visita.

A onda de violência que preocupa as autoridades chinesas começou no domingo na cidade de Ürumqi, quando integrantes da minoria étnica muçulmana uigur entraram em confronto com chineses da etnia han, que representam cerca de 90% da população.

Mais de 156 pessoas morreram e mil ficaram feridas até o momento, de acordo com dados oficiais.

A secretária de Estado Norte-Americana, Hillary Clinton, e o secretário-geral da Organização da Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, pediram que os manifestantes e o governo tenham moderação.

A polícia deteve 1,4 mil suspeitos, que estão sendo interrogados.

Segundo as autoridades, a maioria dos mortos é da etnia han.

Grupos ligados aos uigures, no entanto, afirmam que 90% das vítimas fatais são desta etnia.

A imprensa internacional ainda não conseguiu averiguar o número independentemente.

Vigilância
Fontes da BBC em Ürumqi disseram, nesta quarta-feira, que a cidade está sob forte vigilância, como se estivesse sob lei marcial, embora o governo ainda não tenha decretado este estado.

As ruas estão tomadas por guardas milicianos e por caminhões com homens fortemente armados. Helicópteros sobrevoam a capital da província de Xinjiang e a situação é tensa.

O retorno de Hu Jintao se segue a novos protestos ocorridos na terça-feira, quando manifestantes de ambas as etnias foram às ruas de Ürumqi.

Na manhã de terça-feira, mulheres uigures pediram o retorno dos maridos, filhos e irmãos que estão entre os 1,4 mil detidos pela polícia.

À tarde, chineses da etnia han saíram armados com facas e bastões ameaçando revidar se fossem novamente agredidos.

Eles gritavam frases como "Fora, uigures" e quebraram fachadas de lojas e estabelecimentos no bairro da minoria.

Na segunda-feira, a polícia conseguiu evitar confrontos, após dispersar cerca de 200 manifestantes que se reuniram em frente à mesquita central na cidade de Kashgar, também na província de Xinjiang.

Briga
Os confrontos fatais em Ürumqi foram desencadeados pela morte de dois uigures em uma briga numa fábrica de brinquedos na província de Guangdong, no sul da China, no final de junho.

Na ocasião, operários de ambas as etnias se enfrentaram depois que falsos rumores publicados na internet acusaram trabalhadores uigures de ter violentado jovens chinesas han.

Imagens dos uigures sendo perseguidos e mortos pelos colegas han foram capturadas por celular e distribuídas na internet, o que fomentou a raiva entre os integrantes da minoria étnica.

De acordo com fontes uigures, a violência estourou na noite de domingo depois que a policia tentou reprimir uma manifestação pacífica que pedia pelo julgamento e punição dos chineses envolvidos no assassinato dos operários em Guangdong.

O governo da China, entretanto, afirma que os confrontos do fim de semana foram arquitetados pela líder exilada Rebyia Kadeer, que teria utilizado o incidente de Guangdong como pretexto.

Existem na China cerca de 8 milhões de uigures, e a maioria vive na província de Xinjiang, no noroeste do país, fronteira com a Ásia central.

Grande parte dos uigures é muçulmana e apoia a ideia de separatismo.

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