(Embargado até as 23h de terça-feira, 21 de outubro) Bruxelas, 21 out (EFE).- A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) pediu hoje que os países da UE não se deixem convencer pelo Reino Unido a extraditar pessoas suspeitas de vínculos terroristas a lugares onde podem ser torturados.

HRW divulgou hoje um relatório no qual critica as tentativas do Governo de Londres de ganhar apoios dentro da UE à sua política de realizar extradições por motivos de segurança inclusive aos países de origem dos suspeitos, mesmo se os Governos que recebem essas pessoas derem garantias sobre o tratamento que receberão.

"A razão pela qual há uma proibição mundial de enviar pessoas a lugares onde podem ser torturados é precisamente porque não se pode confiar nos Governos abusivos", assinalou Julia Hall, responsável legal de assuntos antiterroristas na HRW.

A organização aponta várias ocasiões em que o Governo de Londres buscou o apoio da UE ou do chamado G6 (que agrupa os ministros do Interior de Reino Unido, França, Alemanha, Espanha, Itália e Polônia) à chamada "extradição com garantias".

Acrescenta que, até agora, tanto os países comunitários quanto várias instituições da União Européia reagiram de forma negativa a essas tentativas britânicas.

"Até agora a UE se manteve firme e rejeitou as tentativas do Reino Unido de fragilizar a proibição da tortura", acrescentou Hall em comunicado.

No entanto, o relatório assinala que os Governos de Itália, Espanha, Suíça e Dinamarca tentaram nos últimos anos diversas formas de obter garantias diplomáticas para extradições deste tipo.

Segundo a HRW, todos esses Governos apoiaram sem reservas os esforços em nível mundial para erradicar a tortura, mas suas tentativas de obter "garantias diplomáticas pouco confiáveis" ao realizar extradições "debilitam" esses esforços.

O documento, de 36 páginas, é divulgado quando a Câmara dos Lordes britânica tem que revisar (hoje e na próxima terça-feira, dia 28) as apelações em dois casos em que o Governo pretende extraditar islâmicos suspeitos de terrorismo à Argélia e à Jordânia.

A HRW lembra que os serviços de informação da Argélia foram vinculados com torturas, enquanto os jordanianos atuaram conjuntamente com os dos EUA em práticas similares. EFE rcf/jp

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