Johanesburgo, 8 jan (EFE).- A organização Human Rights Watch pediu hoje ao Governo da África do Sul que não deporte os zimbabuanos que estão em seu território e que lhes ofereça refúgio temporário com direito a trabalho.

Em comunicado, a organização pede às autoridades sul-africanas que deixem de "depender unicamente do sobrecarregado sistema de asilo (político), que protege só uma mínima parte dos mais de um milhão de zimbabuanos que não podem voltar pelo desastre humanitário em seu país".

"Para evitar sua deportação da África do Sul, os zimbabuanos atualmente não têm outra opção que pedir asilo", um sistema complicado e submetido a procedimentos internacionais, que para a HRW não é útil para a atual situação.

Nos últimos cinco meses de 2008, entre 25 mil e 30 mil zimbabuanos pediram asilo à África do Sul somente na cidade de Musina, na fronteira entre os dois países.

Este número é o dobro de todos os pedidos de asilo cidadãos do Zimbábue recebidos em 2007 pelos seis escritórios sul-africanos e a metade do total recebido pelo país, aponta a HRW.

A África do Sul tem mais de 100 mil pedidos de asilo pendentes e, para a HRW, colocar os refugiados zimbabuanos neste sistema pode fazer com que este procedimento seja ineficaz e que falhe no adequado exame dos casos.

Para a HRW, a "freqüentemente ilegal deportação de 250 mil zimbabuanos por ano da África do Sul viola o princípio básico da legislação de refúgio, que é o direito a não ser forçado a voltar para onde se é perseguido".

"Para proteger com efetividade os zimbabuanos e deixar de violar a legislação internacional, o Governo (da África do Sul) deve parar as deportações e dar aos zimbabuanos um status temporário de refugiados", conclui HRW.

O Zimbábue atravessa uma crise política e econômica sem precedentes, que levou a uma situação de desastre humanitário, com escassez de alimentos e um sistema sanitário inoperante em meio a uma epidemia de cólera que já matou mais de 1.700 pessoas, dentre 35 mil infectados.

As Nações Unidas calculam que 5,5 milhões dos 12 milhões de habitantes -quase metade- precisarão de ajuda alimentícia a partir deste mês no Zimbábue, onde o desemprego supera 80% e uma inflação astronômica, de milhões por cento, deixou sem valor a moeda local, pelo que se usam moedas estrangeiras fora do alcance da maioria.

Além disso, o regime do presidente Robert Mugabe faz uma política de perseguição e repressão de militantes e simpatizantes da oposição e de grupos de defesa de direitos humanos, com assassinatos e detenções arbitrárias, que deixaram centenas de mortos e detidos e milhares de afetados. EFE cho/jp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.