(Embargada até 21h01 de Brasília) Londres, 20 abr (EFE).- A Human Rights Watch (HRW) pediu hoje o fim na Arábia Saudita da tutela legal que os homens exercem sobre as mulheres que, segundo a organização, impede que as cidadãs do país tenham acesso aos direitos humanos mais básicos.

"As mulheres sauditas devem obter com freqüência permissão de um tutor (pai, marido ou filho) para trabalhar, viajar, estudar, casar e ter acesso a assistência médica", afirma a HRW em um relatório divulgado em Londres.

O texto da organização de defesa dos direitos humanos critica duramente a segregação de gênero implantada na Arábia, e documenta os efeitos dessas "políticas discriminatórias" com base em mais de cem entrevistas com mulheres sauditas.

"O Governo saudita sacrifica direitos humanos básicos para manter o controle dos homens sobre as mulheres", afirmou Farida Deif, pesquisadora de Human Rights Watch para o Oriente Médio.

Segundo Deif, "as mulheres sauditas não progredirão até que o Governo termine com os abusos gerados por essas políticas equivocadas".

A HRW afirma que as autoridades do país tratam as mulheres como "menores legais", sem o direito de controlar sua própria vida e bem-estar.

Fatma A., uma saudita de 40 anos da cidade de Riad, conta no relatório que não pode pegar um avião sem permissão por escrito do filho, seu tutor legal.

"Meu filho tem 23 anos e tem que vir da Província Oriental para me dar permissão para sair do país", diz a saudita.

Além disso, as sauditas não podem tomar decisões simples como abrir uma conta bancária para os filhos, matriculá-los na escola ou viajar com eles sem a permissão do pai do menor.

A ONG também condena o fato de que as mulheres não possam ocupar cargos dentro de agências governamentais que não tenham seções femininas, a menos que tenham um representante masculino.

No relatório, a entidade também afirma que a possibilidade de uma mulher levar qualquer questão aos tribunais da Arábia Saudita é muito limitada, já que não há como iniciar ações judiciais sem a presença de um tutor.

"Ao não eliminar estas práticas discriminatórias, o Governo saudita fracassa em seu compromisso de garantir às mulheres seus direitos à educação, ao emprego, à liberdade de movimento, à saúde e à igualdade no casamento", diz a HRW.

Para a organização, com essa política, as autoridades sauditas "ignoram não só a norma internacional, mas os elementos da tradição legal islâmica que apóiam a igualdade e a capacidade legal completa das mulheres".

A Human Rights Watch quer que o Governo da Arábia Saudita "desmantele este sistema extremamente discriminatório". EFE pa/rr/an

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