HRW pede à UE que cessem expulsões diretas de imigrantes à Líbia

Roma, 21 set (EFE).- A ONG Human Rights Watch (HRW) pede à União Europeia (UE) que pressione a Itália para que cessem as expulsões diretas de imigrantes interceptados no Mar Mediterrâneo de volta à Líbia, país ao qual exorta a instaurar procedimentos de asilo para refugiados sob padrões internacionais.

EFE |

Estas são algumas das conclusões que a organização extrai de seu relatório "Expulsos e esmagados: Itália e as expulsões de imigrantes e solicitantes de asilo, Líbia e os maus-tratos de imigrantes e solicitantes de asilo", do qual dá conta em comunicado de imprensa divulgado hoje em Roma.

Este texto - que recolhe testemunhos de 91 imigrantes que se encontram na Itália e Malta após solicitar asilo político, e de outro mais em conversa por telefone desde a Líbia, onde permanece retido - estava previsto para esta segunda-feira em Roma, mas o ato foi cancelado em sinal de luto pela morte de seis militares italianos no Afeganistão na quinta-feira passada.

A HRW assegura na nota que as lanchas motoras italianas rebocam os navios de imigrantes ilegais que encontram no mar para águas internacionais sem averiguar se alguns deles são "refugiados, doentes, estão feridos, são mulheres grávidas ou crianças não acompanhadas, vítimas de tráfico ou de outras formas de violência contra as mulheres".

"Os italianos usam a força para transferir os imigrantes desde as barcaças para as embarcações líbias ou os levam diretamente à Líbia, onde as autoridades lhes encarceram imediatamente. Algumas das operações são coordenadas pela Frontex, a agência da UE para o controle das fronteiras externas", diz.

A ONG se mostra crítica com Bruxelas, pois, segundo a HRW, a UE, da mesma forma que a Itália, vê a Líbia, que não tem leis nem procedimentos de asilo político, "como um bom parceiro no controle da migração".

"A Comissão Europeia atualmente está negociando um acordo de readmissão com a Líbia que criaria um mecanismo formal de rejeição (de imigrantes), assim como um acordo marco geral para vínculos posteriores" entre ambas as partes, diz a ONG no comunicado. EFE mcs/ma

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG