Nova York, 17 jun (EFE).- A organização Human Rights Watch (HRW) pediu hoje ao Governo do Paquistão para abolir a pena de morte, depois que sua aplicação disparou nos últimos anos nesse país asiático.

O grupo afirmou hoje, em comunicado, que enviou uma carta ao primeiro-ministro do Paquistão, Yousef Raza Gillani, na qual solicita uma moratória das execuções, enquanto tramita no Parlamento a abolição da pena de morte.

A HRW sugere a Gillani, no poder desde março, a criação de uma comissão que analise a aplicação da pena de morte, que tipos de crimes são punidos dessa forma e como reformar o sistema judiciário para garantir a adequação aos padrões internacionais.

As execuções dispararam durante a gestão do presidente Pervez Musharraf, devido ao aumento dos crimes punidos com essa a pena de morte, segundo a HRW.

De 31.400 pessoas condenadas no país, mais de 7.000 foram sentenciadas à pena de morte e estão em processo de apelação ou à espera de serem executadas.

A organização com sede em Nova York afirma que a maioria dos 309 presos condenados a morrer em 2007 e os 134 que foram executados na forca vinham das classes mais pobres da sociedade paquistanesa.

Alguns sofreram discriminação por serem membros de minorias religiosas e muitos não tiveram os direitos processuais respeitados e com julgamentos que não cumpriam as normas internacionais, afirmou a HRW no comunicado.

O diretor da organização para a Ásia, Brad Adams, disse que o Paquistão é um dos países do mundo onde se registra anualmente um maior número de execuções.

"O novo Governo deve colocar fim a esta situação inaceitável se, de verdade, estiver interessado na justiça", acrescentou.

A HRW afirmou que a prática "endêmica" da tortura a suspeitos nas investigações por parte do aparelho de segurança paquistanês pode levar facilmente à condenação de pessoas inocentes.

Advogados e ativistas do Paquistão relataram que, em muitas vezes, esses abusos facilitaram que pessoas inocentes fossem executadas por razões políticas ou interesses pessoais, afirmou a HRW em seu relatório. EFE jju/an

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