HRW mostra preocupação com segurança da imprensa na China

Hong Kong, 7 jul (EFE).- Em relatório publicado hoje, a organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) mostrou sua preocupação com o risco que correm jornalistas estrangeiros e chineses, além de fontes do país asiático que informam sobre temas delicados na China.

EFE |

O estudo "Zonas proibidas da China. O fechamento à imprensa do Tibete e de outras áreas 'delicadas'", apresentado no Clube de Correspondentes Estrangeiros (FCC, em inglês) de Hong Kong, ressalta a dificuldade de informar na China durante 2008, ano dos Jogos Olímpicos de Pequim.

"Em um momento em que a liberdade de expressão deveria estar em seu nível mais alto na China", a HRW denuncia a expulsão e exclusão dos correspondentes estrangeiros no Tibete após as revoltas de março, diz a organização em seu relatório.

Além disso, foram registradas pela HRW violações de regulamentações temporárias que desde o início de 2007 davam maior liberdade de movimento aos jornalistas estrangeiros.

Outro fator citado são as ameaças e o assédio sofridos pelos informadores, "independentemente do meio ou da nacionalidade", devido à "demonização da imprensa estrangeira", promovida pelo aparelho midiático central, disse em Hong Kong Sophie Richardson, editora do relatório.

A HRW estima que cerca de 25 mil jornalistas farão a cobertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, mas, segundo Richardson, mesmo os que conseguiram visto e credenciamento terão tarefa difícil em função dos temas.

Foram "excluídos" da lista de assuntos os protestos, as entrevistas com dissidentes e ativistas de direitos humanos que estejam em evidência e os pedidos de camponeses para se deslocarem para Pequim em busca de uma saída para os abusos que possam ser cometidos contra eles em nível local.

"Consideramos inaceitáveis os riscos aos quais se submete um jornalista na China para exercer seu trabalho", disse Richardson, que acrescentou que é preocupante "que muitas das histórias importantes não possam ser contadas devido ao perigo" que representa escrevê-las.

Deste perigo sofrem não apenas os jornalistas estrangeiros, mas também os chineses, e, por extensão, as fontes da informação. Por isso a HRW pediu que se aumente o cuidado e a responsabilidade para garantir a segurança destas.

Para a editora do relatório, mais que insistir no boicote aos Jogos Olímpicos, o "melhor é fazer com que o Governo chinês cumpra sua palavra", entre outras questões, quanto à liberdade de imprensa, uma "promessa específica" feita ao Comitê Olímpico Internacional (COI) na candidatura da China para sediar o evento. EFE mch/ev/rr

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