Washington, 14 jan (EFE).- A Human Rights Watch (HRW) criticou o Brasil hoje, em seu relatório anual, por mostrar simpatia (.

..) por alguns países que obstruem a defesa dos direitos humanos com o argumento da soberania" -como ao não assinar o tratado para eliminar bombas de fragmentação- e bateu também na omissão de EUA e Europa.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, alegou, em dezembro, que se negou a assiná-lo porque queria um tratado mais amplo.

A organização também criticou EUA e União Européia (UE) por permitirem que países que desrespeitam os direitos humanos encontrem aliados nos organismos internacionais, enquanto elogiou países latino-americanos, como Argentina, Chile, Costa Rica, México e Uruguai "por seus esforços na defesa dos direitos humanos" em fóruns internacionais.

A HRW, em seu relatório, afirma que os dias nos quais Washington, Bruxelas ou outras capitais ocidentais tomaram a iniciativa no debate sobre os direitos humanos "passaram".

Hoje, segundo a HRW, "aqueles que exercem a diplomacia mais enérgica em matéria de direitos humanos residem em lugares como Argel, Cairo ou Islamabad, respaldados pela Rússia e China. O problema é que estes estão atirando na direção equivocada", lamenta.

A organização afirma que na ONU e em outras organizações internacionais, alguns Governos "repressivos" bloquearam medidas contra violações de direitos humanos, graças à passividade ou ineficácia dos restantes.

De acordo com HRW, países como Argélia, Egito e Paquistão, apoiados por China, Rússia, Índia e África do Sul, defendem o direito dos Governos de "fazer o que quiserem", com argumentos como "soberania, não-interferência e solidariedade regional".

Estes estados têm, na realidade, o objetivo de "desviar a atenção e as críticas de seus próprios abusos ou de seus aliados e amigos", afirma a HRW.

Em outro ponto, o Brasil também é citado positivamente pela HRW, segundo o qual o país "apoiou nos últimos anos ativamente o sistema interamericano de direitos humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA)", Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Segundo a HRW, os Governos da Argentina, Chile, Costa Rica e Uruguai, foram destacados porque "apoiaram sistematicamente iniciativas para a defesa dos direitos humanos", do Tribunal Penal Internacional até o Conselho de Direitos Humanos da ONU.

O México, por sua vez, "exerceu um papel importante" nesse órgão, ao defender que todos os países participem do Exame Periódico Universal (EPU); na Assembléia Geral da ONU, onde defendeu a independência do Alto Comissariado para os Direitos Humanos; e no Conselho de Segurança, onde é membro não-permanente e pediu que se dê mais prioridade a esta matéria.

Apesar aos elogios que outorga HRW ao Governo do presidente Felipe Calderón por defender os direitos humanos no exterior, a organização também ressalta que o México ainda tem que fazer seus deveres de casa.

"Infelizmente, o México foi lento na hora de responder aos severos e persistentes problemas de direitos humanos que registra em casa", sentença HRW em seu relatório.

A organização refere-se à oposição do México a uma cláusula que os EUA queriam incluir na Iniciativa Mérida para condicionar seu financiamento à luta contra o narcotráfico e o crime organizado à melhoria dos direitos humanos pelo país vizinho.

A HRW também acusa o Governo mexicano de "pressionar" a mudança do representante no país do alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Amerigo Incalcaterra, "por seus comentários críticos" sobre seu trabalho.

O Governo mexicano diz que a mudança é um trâmite habitual do órgão e que o próprio representante da ONU assinalou que a decisão é uma "mudança normal".

Cuba voltou a ser o país mais criticado pela organização, por "continuar sendo o único país na América Latina que reprime quase todas as formas de dissidência política", fato que não mudou depois da transferência do poder de Fidel Castro a seu irmão Raúl.

A HRW pondera que o Governo cubano reduziu seu papel de entrave à defesa dos direitos humanos nos fóruns internacionais, apesar de com o "entendimento tácito" de que o Conselho de Direitos Humanos não faça resoluções críticas.

No ano passado, o Governo cubano, segundo a organização, "assinou dois tratados fundamentais de direitos humanos e mudou sentenças de pena de morte de vários presos".

Apesar disso, "estas medidas não conduziram a mudanças políticas significativos em Cuba" e "o mecanismo repressivo segue intacto e negando sistematicamente direitos básicos", conclui a HRW sobre a ilha. EFE cai/jp

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