HRW acusa Rússia de lançar bombas de fragmentação na Geórgia

Moscou, 15 ago (EFE).- O grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) acusou hoje o Exército russo de lançar bombas de fragmentação sobre regiões georgianas, o que foi desmentido pelo comando militar da Rússia.

EFE |

A HRW declarou que as tropas russas lançaram bombas de fragmentação, que devido a seu uso indiscriminado foram rejeitadas por mais de 100 países, contra a cidade georgiana de Gori matando onze pessoas.

"O emprego desta munição pela Rússia não só é fatal para os civis, como também representa um insulto aos esforços internacionais para evitar uma catástrofe humanitária global, semelhante às conseqüências da utilização de minas antipessoais", disse à imprensa Marc Garlasco, analista militar da HRW.

Segundo a organização, o Exército russo também lançou bombas de fragmentação RBK-250 em sua ofensiva na Geórgia na terça-feira passada durante os bombardeios à cidade de Ruisi, no distrito de Kareli.

"As bombas de fragmentação são armas de assassinato indiscriminado e são proibidas pela maioria dos países", disse Garlasco, segundo a imprensa russa e ocidental.

O general Aleksandr Nogovitsin, chefe adjunto do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, classificou as denúncias da HRW de "mentiras preparadas de antemão".

"Não empregamos bombas de cacho (que liberam cápsulas explosivas em todas as direções), não foi necessário", afirmou o general em coletiva de imprensa em Moscou.

O Exército russo entrou na Geórgia no último dia 8 para proteger das tropas georgianas a região separatista da Ossétia do Sul, cujos habitantes a Rússia havia entregado a cidadania apesar dos protestos de Tbilisi e das forças de paz russas.

Segundo a HRW, os russos bombardearam Gori - situada a 25 quilômetros da Ossétia do Sul e a 70 de Tbilisi - de 9 a 12 de agosto, causando o maior número de vítimas na terça-feira passada, quando bombas caíram sobre o edifício administrativo no qual era distribuída ajuda humanitária.

No ataque morreram oito pessoas, entre elas um jornalista holandês, e outras 23 ficaram feridas e foram hospitalizadas em Gori e depois levadas a Tbilisi, para onde fugiram mais de 40 mil habitantes da cidade.

Analistas da HRW afirmam que em algumas fotografias tiradas em Gori aparecem elementos de estilhaços das bombas de fragmentação russas RBK-250.

Além disso, em uma gravação de vídeo feita na cidade é possível ver 20 explosões simultâneas, o que na opinião dos analistas da HRW confirma a utilização das bombas, segundo o jornal online "newsru.com".

O Ministério da Defesa russo declarou no final de maio passado que suas Forças Armadas não abrirão mão das bombas de fragmentação e das minas antipessoal, justamente quando é negociado em Dublin (Irlanda) um acordo internacional sobre a proibição dessas armas.

"Somos contra a proibição total de munições de cacho e de minas antipessoal e a favor da evolução desses armamentos", disse na ocasião o general Yevgueni Buzhinski, chefe de cooperação internacional do Ministério russo.

A imprensa lembrou que Moscou, embora se negue a renunciar às bombas de fragmentação, cujo emprego foi denunciado na guerra da Chechênia, havia se somado às reivindicações para investigar o possível uso da munição por Israel durante o conflito com o Líbano.

EFE se/fh/rr

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