Hotel em Hong Kong é colocado em quarentena contra gripe suína

Cerca de 300 pessoas em um hotel de Hong Kong foram colocadas em quarentena nesta sexta-feira depois que um hóspede foi diagnosticado com gripe suína, no primeiro caso confirmado da doença na Ásia. De acordo com o governo de Hong Kong, o paciente é um mexicano de 25 anos que chegou ao território via Xangai e está em isolamento no Hospital Princess Margaret, em condição estável.

BBC Brasil |

O hotel Metropark, no distrito de Wanchai, onde o homem se hospedou, ficará lacrado por sete dias.

Segundo as autoridades de saúde, os cerca de 200 hóspedes e cem funcionários do hotel serão medicados com o antiviral Tamiflu, um dos dois medicamentos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para tratar a gripe suína.

O governo de Hong Kong também está buscando identificar pessoas que tenham viajado no mesmo avião e taxistas que tenham transportado o paciente mexicano.

As autoridades elevaram o nível de alerta em Hong Kong para "emergência", mas orientaram a população a manter sua rotina normalmente. "Eu ressalto que não há necessidade de pânico", disse o chefe do Executivo de Hong Kong, Donald Tsang.

Segundo o editor da BBC China, Shirong Chen, a confirmação do caso de gripe suína em Hong Kong causou preocupação em todo o país. O ministro da Saúde da China, Chen Zhu, disse que é "muito provável" que o vírus chegue à China continental e que o país deve se preparar para um surto.

Números

Até agora, foram confirmados casos de gripe suína em 15 países de quatro continentes. Diversos outros países investigam casos suspeitos.

Nesta sexta-feira, a França foi o último país a confirmar casos de gripe suína. A ministra da Saúde francesa, Roselyne Bachelot, disse que duas pessoas foram infectadas com o vírus e uma terceira "muito provavelmente" está doente.

Todos as três pessoas estiveram no México, disse Bachelot.

No México, país onde a doença foi inicialmente registrada, há 343 casos e 15 mortes provocadas pela doença, segundo o ministério da Saúde, três a mais em relação ao confirmado até a quinta-feira. Dos mortos, 11 eram mulheres e quatro homens, todos com idades entre 21 e 40 anos.

O ministro da Saúde do México, José Ángel Córdova, disse nesta sexta-feira que a diminuição no número de internações em decorrência da gripe suína é "um sinal muito animador" e que o vírus causador da doença "não é tão agressivo" como se pensava.

Depois do México, os Estados Unidos são o país mais afetado, com 118 casos confirmados e uma morte, segundo autoridades americanas.

Brasil

No Brasil, o Ministério da Saúde disse nesta sexta-feira que o número de casos suspeitos passou de quatro para sete (três em Minas Gerais, dois em São Paulo, um no Rio de Janeiro e um no Espírito Santo) e outras 41 pessoas estão sendo monitoradas.

Segundo o ministro José Gomes Temporão, "a chegada do vírus é inevitável", mas o Brasil está preparado para enfrentar a doença.

Também nesta sexta-feira, autoridades britânicas confirmaram que um funcionário do Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês) é o primeiro paciente do país a contrair gripe suína sem ter visitado o México.

Segundo o governo britânico, o paciente Graeme Pacitti, de 24 anos, contraiu a doença ao entrar em contato com o casal Askham, os primeiros casos confirmados na Grã-Bretanha, que foram infectados durante sua lua-de-mel no balneário mexicano de Cancún.

México

O México iniciou nesta sexta-feira uma paralisação de cinco dias determinada pelo governo para tentar conter o avanço da gripe suína.

Serviços não-essenciais foram suspensos, cinemas, lojas e restaurantes fechados e até as celebrações do Dia do Trabalhador foram canceladas.

O presidente do país, Felipe Calderón, pediu aos mexicanos que não saiam de casa durante esses período, mas algumas pessoas afirmaram que vão ignorar o pedido, já que não podem deixar de trabalhar.

Há preocupações sobre o efeito que o surto de gripe suína poderá ter na economia mexicana, já abalada pela crise econômica mundial. Nesta sexta-feira, Calderón recebeu o primeiro pacote de ajuda do governo chinês para combater a doença.

Foram doados US$ 1 milhão, além de outros US$ 4 milhões em produtos sanitários, entre os quais 240 mil máscaras profissionais, 96 mil luvas, 2 mil roupas de isolamento e 100 mil lenços desinfetantes.

Muitos países restringiram voos para o México e diversas operadoras de turismo cancelaram pacotes para o feriado.

O México anunciou que irá apresentar uma consulta formal à Organização Mundial do Comércio pedindo explicações dos países que baniram importações de produtos mexicanos derivados de suínos.

As autoridades mexicanas voltaram a afirmar que o consumo de carne e derivados suínos não representa risco para a saúde humana.

Vacina

Nesta sexta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que alguns laboratórios começarão nas próximas semanas a produzir vacina contra esse novo tipo de gripe.

O material necessário para iniciar a produção da vacina está sendo produzido nos Estados Unidos e será distribuído aos laboratórios em meados do mês.

No entanto, a vacina só deve estar disponível no mercado num prazo de quatro a seis meses, de acordo com a OMS.

A OMS e a União Europeia (UE) decidiram parar de se referir à doença como gripe suína para evitar prejuízos maiores à indústria de produtos suínos. A OMS passou a se referir à doença como Influenza A (H1N1), e a UE, como "nova gripe".

Na quarta-feira, a OMS elevou o nível de alerta em relação à doença para cinco - um abaixo do estágio de alerta máximo - e afirmou que há sinais de uma pandemia "iminente".


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