Hospital espanhol apresenta nova técnica de regeneração de mama

Barcelona, 16 jun (EFE).- O Hospital Clínico de Barcelona apresentou hoje uma nova técnica que permite reconstruir o seio de mulheres que tiveram câncer de mama, com enxertos de gordura do próprio corpo que são implantados sem deixar cicatrizes.

EFE |

O chefe do serviço de Cirurgia Plástica do hospital, Joan Fontdevila, apresentou o novo método cirúrgico em entrevista coletiva.

Segundo Fontdevila, a nova técnica é muito mais simples do que as usadas até agora para reparar as mamas afetadas por tumores, como a retirada de tecido de grandes partes do corpo para fazer uma reconstrução ou a utilização de próteses.

O especialista explicou que se trata de uma técnica similar à lipossucção, procedimento no qual o cirurgião extrai gordura de baixo da pele com a ajuda de cânulas (canos pequenos) especiais de qualquer parte do corpo, deixando cicatrizes de menos de três milímetros.

Assim que a gordura é extraída, ela é processada na sala de cirurgia para ser purificada, separada das hemácias e do plasma, e ser posteriormente injetada no seio retirado pela mastectomia, sem a necessidade de fazer uma nova cicatriz.

A operação demora duas horas, e o tempo de recuperação é muito menor, o que melhora o estado das pacientes, que já sofreram cirurgias para retirar o câncer e passaram por tratamentos agressivos, como quimioterapia e radioterapia.

O médico explicou que, em uma reconstrução tradicional, é preciso destruir uma região do abdômen ou das coxas para "transferir" a gordura extraída para o seio, procedimento que leva várias horas na sala de cirurgia e deixa grandes cicatrizes.

Segundo os especialistas, "com a incorporação desta técnica, já é possível falar de regeneração de tecidos danificados ou ausentes", uma vez que a gordura do corpo contém células-tronco, o que permite aproveitar suas virtudes e efeitos benéficos na reparação das mamas.

Os casos estudados no Hospital Clínico permitiram constatar que os benefícios do novo procedimento vão além da reconstrução da mama, já que não remedia somente a qualidade da pele alterada pela radioterapia e as cicatrizes da mastectomia, mas também permite refinar os resultados obtidos por outras técnicas de reconstrução mamária.

A equipe de cirurgia plástica do hospital começou a trabalhar na aplicação dos enxertos de gordura em nível facial em 2001, baseando-se na experiência do doutor Sydney Coleman, de Nova York.

Após os primeiros resultados, Fontdevila e sua equipe iniciaram um projeto de pesquisa sobre a aplicação deste método na regeneração das seqüelas faciais dos pacientes com aids financiado pelo Fundo de Pesquisa Sanitária.

Após quatro anos de estudo, as conclusões, apresentadas em maio no congresso da American Society of Aesthetic Plastic Surgery (Asaps, em inglês), em San Diego (Estados Unidos), confirmam que os enxertos de gordura têm "grande potencial regenerador, e seus efeitos se mantêm de forma duradoura no tempo, ao contrário do que se pensava anteriormente".

Segundo Fontdevila, 80% das pacientes afetadas pelo câncer de mama que sofreram uma cirurgia conservadora poderiam ser atendidas com o novo procedimento, e alguns casos de mulheres que realizaram uma intervenção mais radical também poderiam ser tratadas com a nova técnica.

O único inconveniente da nova técnica é que ela não pode ser realizada entre três e nove meses após a operação de retirada do tumor ou imediatamente após a interrupção das sessões de quimioterapia e radioterapia.

Na entrevista coletiva também participou Silvia Rivas, paciente que se submeteu ao procedimento, e que o avaliou como positivo. EFE db/wr/gs

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