Hong Kong critica ação da polícia filipina para resgatar reféns

Sequestro de um ônibus turístico em Manila terminou com a morte de oito cidadãos de Hong Kong, além do sequestrador

iG São Paulo |

O chefe de governo de Hong Kong, Donald Tsang, criticou a forma como as autoridades filipinas lidaram com um incidente com reféns em Manila , capital do país, nesta segunda-feira. Oito turistas de Hong Kong morreram depois que policiais invadiram o ônibus em que ficaram presos por quase 12 horas. Outros dois foram gravemente feridos.

"É lamentável", disse Tsang, com os olhos marejados, durante uma entrevista coletiva. "A forma como foi conduzido, em especial o resultado, é decepcionante. Espero que o governo filipino possa me dar um relato completo do que aconteceu", afirmou Tsang.

AP
Refém ferido é levado ao hospital após deixar o ônibus sequestrado em Manila

Outras pessoas em Hong Kong ficaram chocadas, algumas furiosas, depois do que parece ter sido uma operação de resgate ineficaz, acompanhado ao vivo pela televisão por milhares de pessoas. Pôde-se ver pela televisão os policiais quebrando as janelas do ônibus minutos depois de se ouvir uma série de disparos e o motorista sair correndo, em segurança.

Depois, a polícia levou quase meia hora para conseguir entrar no ônibus. Enquanto isso, eram ouvidos novos disparos, que levavam os policiais a se abaixar e procurar abrigo. Após aproximadamente uma hora, o atirador foi morto e os reféns, libertados. "Isso é uma tragédia e uma farsa", afirmou Kevin Chan, morador de Hong Kong. "Por que eles demoraram tanto para entrar no ônibus? Eles não são disciplinados nem treinados. Eles são loucos?"

Outro morador de Hong Kong, Sunny Ho, afirmou que as coisas poderiam ter sido resolvidas com negociações mais tranquilas e não com força bruta. "É muito trágico, a polícia e o governo das Filipinas são totalmente incompetentes. O governo deveria ter concordado com a exigência do atirador e resgatado as pessoas primeiro!", disse Ho.

O caso

Na noite de domingo (horário de Brasília), o ex-policial Rolando Mendoza, de 55 anos, invadiu um ônibus da agência turística Hong Tai Travel, quando este vinha do centro histórico de Manila e estava a apenas 150 metros de uma delegacia. Nesse momento, 25 pessoas estavam no ônibus, que ficou parado próximo ao parque de Rizal, um dos lugares mais visitados da capital filipina.

AFP
Polícia tenta invadir ônibus onde 15 pessoas são mantidas reféns

O homem liberou nove pessoas: duas mulheres, três crianças, um homem diabético e três filipinos. Para libertar os demais, ele exigia recuperar o emprego de policial, do qual foi demitido há um ano. Em meio à negociação, o motorista conseguiu fugir. Quando tiros foram disparados, a polícia decidiu invadir o ônibus.

De acordo com a imprensa local, em 2008 Mendoza e outros quatro policiais foram acusados de roubo e extorsão. Eles teriam chantageado um chef de um hotel dizendo que, se não lhes desse dinheiro, seria falsamente acusado por uso de drogas.

Durante o sequestro, o sequestrador colocou uma cartolina em uma janela do ônibus na qual escreveu as condições para a libertação dos reféns, que incluiam, além da volta ao emprego, a retirada das acusações que pesavam sobre ele.

Com Reuters e AP

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