Hong Kong anuncia pacote de US$ 13 bi para a economia

O chefe-executivo de Hong Kong, Donald Tsang, anunciou nesta segunda-feira um pacote de incentivos à economia no valor de 100 bilhões de dólares de Hong Kong (US$ 13 bilhões). O plano inclui empréstimos para pequenas e médias empresas, a criação de empregos públicos e o aumento de investimentos em infra-estrutura.

BBC Brasil |

O pacote era aguardado há tempos, e a imprensa de Hong Kong chegou a criticar o governo por demorar a tomar uma atitude frente à crise. O governo chinês, por exemplo, anunciou um mês atrás estímulos de US$ 586 bilhões.

Antecipando o anúncio das medidas, a bolsa fechou em alta nesta segunda com o índice Hang Seng 8,6% no positivo e o índice HS H-Shares com ganhos de 9,5%.

Empregos

Tsang afirmou que a prioridade do governo é a criação de empregos e, portanto, a principal medida será a extensão das linhas de crédito para pequenas e médias empresas, responsáveis por cerca de metade das vagas no setor privado.

O limite de empréstimo concedido a essas empresas passará de cerca de US$ 130 mil para US$ 774 mil.

Atualmente, o nível de desemprego em Hong Kong está em 3,5%, mas a perspectiva é de que esse total aumente no ano que vêm. Por isso, pelo menos 60 mil novas vagas públicas deverão ser criadas pelo governo em infra-estrutura e projetos temporários.

"Vamos colocar as medidas em prática ainda antes do Natal", prometeu Tsang.

O total investido é um quarto das reservas fiscais do governo, que somam cerca de US$ 52 bilhões, de acordo com Tsang.

Portas fechadas

Empresas de capital de Hong Kong têm sofrido especialmente com a crise internacional porque muitas delas têm sede na ilha, mas produzem manufaturas no delta do Rio das Pérolas, no sul da China, e vendem para o mundo todo.

Com a queda nas exportações para Estados Unidos, Europa e Japão, essas empresas estão fechando as fábricas, em um fenômeno que tem afetado ao mesmo tempo as economias da China e de Hong Kong.

Os chineses estão perdendo empregos na área de produção, o que está causando inquietação social na região, enquanto Hong Kong vê evaporar a riqueza e os empregos administrativos uma vez gerados por essas exportações.

Um estudo da Federação de Indústrias de Hong Kong concluiu que, das 65 mil empresas de capital local que operam fábricas no sul da China, 10 mil delas já fecharam as portas desde o começo do ano.

No domingo, o banco HSBC anunciou que abrirá uma linha de crédito de US$ 5 bilhões para pequenas e médias empresas no mundo todo e, desse montante, US$ 516 milhões serão destinados exclusivamente a Hong Kong.

China

O governo de Hong Kong descreveu o pacote de incentivos como "pragmático", o que é uníssono com a postura intervencionista de Pequim.

Os recursos para as medidas vêm dos cofres de Hong Kong, mas Tsang disse que é necessário atrair mais dinheiro da China continental e acrescentou que medidas para isso serão tomadas em breve.

O chefe-executivo de Hong Kong, no entanto, não forneceu detalhes e disse apenas que esclareceria a questão em breve, no discurso-relatório anual que apresentará em Pequim ainda antes do fim do mês.

No começo de novembro, Pequim anunciou um pacote de incentivos no total de US$ 586 bilhões, que inclui investimentos em infra-estrutura, subsídios ao consumo e cortes nos impostos para empresas exportadoras.

Não foi divulgado quanto desse montante beneficiaria diretamente empresas de Hong Kong operando na China, mas estima-se que o rebate nos impostos seja de vital importância para a sobrevivência das exportadoras.

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