Hondurenhos protestam a favor e contra Zelaya

Duas grandes manifestações ocuparam nesta terça-feira as ruas de Tegucigalpa, uma para exigir a volta do presidente Manuel Zelaya, derrubado por um golpe de Estado, e outra a favor de Roberto Micheletti, empossado pelo Congresso para governar o país.

AFP |

O maior protesto, que reuniu cerca de 10 mil pessoas, ocupou o Parque Central de Tegucigalpa para apoiar o novo governo e rejeitar a volta de Zelaya, deposto pelos militares com o apoio do Congresso e da Justiça hondurenhos.

Com camisas brancas com as palavras "paz e democracia", os manifestantes exibiram cartazes com frases como "Fora Mel (Manuel Zelaya)" e repudiaram a ingerência do presidente venezuelano, Hugo Chávez, nos assuntos internos do país.

Micheletti, do mesmo partido de Zelaya, o Liberal (direita), fez sua primeira aparição pública após ser designado presidente pelo Congresso, para se dirigir aos manifestantes no Parque Central.

"Prometo diante de Deus, de vocês e da pátria que (...) vamos ter eleições e que em 27 de janeiro entregarei a faixa presidencial", disse Micheletti.

O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Romeo Vásquez, destituído por Zelaya na quarta-feira passada, após se negar a distribuir o material para um referendo sobre a mudança da Constituição, considerado ilegal pela Justiça, foi muito aplaudido pela multidão.

A poucos metros do Parque Central, um grupo de cerca de 2 mil pessoas exigiu a volta de Zelaya, que promete regressar ao país na próxima quinta-feira, apesar da ameaça de prisão.

O procurador-geral de Honduras, Luis Alberto Rubí, anunciou hoje que Zelaya será detido "imediatamente" ao pisar território hondureño, onde é acusado de vários crimes, entre eles "traição à pátria" e "usurpação de poder".

Segundo o deputado do partido Unificação Democrática (esquerda), Marvin Ponde, milhares de partidários do presidente deposto, que seguiam de ônibus do interior do país para a capital, não puderam chegar a Tegucigalpa porque foram bloqueados nas estradas por operações militares.

Os partidários de Zelaya procediam de cidades como Santa Bárbara (noroeste), Danlí, Juticalpa e Catacamas (leste) e Choluteca (sul), entre outras, para realizar uma grande manifestação na capital.

Juan Barahona, dirigente da central operária FUTH, disse à AFP que também há no país uma greve geral para exigir o retorno do presidente.

"O país está parado agora mesmo, apesar da repressão militar".

nl/LR

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