Honduras volta atrás e diz que brasileiro sobreviveu a incêndio

Segundo Itamaraty, informação foi corrigida hoje e brasileiro está internado em hospital; tragédia em prisão deixou 356 mortos

iG São Paulo |

O governo de Honduras afirmou nesta sexta-feira que um brasileiro dado como morto na verdade sobreviveu ao incêndio de quarta-feira na Colônia Agrícola Penal de Comayagua, no centro do país. Além do brasileiro, um salvadorenho inicialmente registrado como morto também sobreviveu ao incêndio, enquanto um nicaraguense e um mexicano morreram.

Presos sem julgamento: Relatório mostra precariedade de prisão em Honduras

AP
Parente coloca cruz sobre caixão de preso morto em incêndio em prisão de Honduras (17/02)
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A informação de que um brasileiro estaria entre os mortos do incêndio, o pior já registrado em um presídio latino-americano , havia sido passada na quinta-feira ao Ministério de Relações Exteriores do Brasil pela chancelaria de Honduras. Contatada pelo iG , a assessoria de imprensa do Itamaraty afirmou que agora trabalha para verificar o estado de saúde do brasileiro, que está internado em um hospital.

O Itamaraty não divulgou o nome ou a idade do brasileiro, nem se ele foi internado com queimaduras ou com intoxicação por fumaça. Segundo a assessoria do Itamaraty, a situação em Honduras ainda é confusa, com muitas informações desencontradas.

O número de vítimas na tragédia aumentou nesta sexta-feira para 356, após a morte de um detento que havia sido internado com queimaduras generalizadas.

Na quinta-feira, a coordenadora dos procuradores do Ministério Público de Honduras, Danelia Ferrera, afirmou que uma das vítimas do incêndio seria uma mulher que estava registrada como visitante na prisão, mas cuja saída não foi notificada. Apesar de ter capacidade para 400 detentos, a prisão estava com 851 no momento do incêndio supostamente iniciado por um preso que ateou fogo a um colchão.

Há 19 presos em hospitais e 477 na prisão, numa indicação de que ninguém fugiu durante o incidente, ao contrário do que se suspeitava a princípio.

Nesta sexta-feira, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu uma "investigação independente" sobre a tragédia, "para determinar se as condições na prisão contribuíram para as enormes perdas de vidas".

Os sobreviventes acusaram guardas de deixar os detentos morrerenas celas e de disparar nos que tentavam escapar das chamas. "Foi um caos total. As pessoas corriam para salvar suas vidas, tiros eram disparados. As pessoas estavam sendo queimadas vivas", disse o capelão penitenciário Reynaldo Moncada, que chegou ao local logo após o início do incêndio, na noite de terça-feira. A maioria dos detentos ainda nem havia passado por julgamento.

Rosendo Sánchez, que cumpre pena de dez anos de prisão por homicídio, acordou com o início do incêndio. Ele escapou do seu pavilhão e disse ter visto guardas atirando em outros detentos que tentavam fugir.

"Foi um inferno aqui, ver seus amigos, pessoas que você conhecia bem, queimarem vivas", disse Sánchez. Ele afirmou que a brigada de incêndio levou mais de meia hora para aparecer, e outros sobreviventes disseram que os guardas ignoravam os gritos de socorro. A polícia nega que tenha impedido os presos de fugir.

O diretor de inteligência policial de Honduras, Elder Madrid, disse que o incêndio começou durante uma briga entre dois presos por um colchão - um dos envolvidos ateou fogo ao objeto. Dos mais de cem presos naquele pavilhão, só quatro sobreviveram, segundo Madrid.

Na quarta-feira, o presidente de Honduras, Porfirio Lobo, prometeu uma investigação para apurar as responsabilidades pela tragédia e removeu os funcionários responsáveis pela administração carcerária.

Em 2003 e 2004, houve registros de incêndios fatais nas cidades de Ceiba e San Pedro Sula. Mas, como ocorre também em outros países da região, o sistema penitenciário hondurenho ficou à mercê de gangues criminosas que operam por trás das grades.

Agora, o país debate uma reforma drástica no setor, incluindo a possibilidade de privatizar os presídios ou oferecer suas concessões à iniciativa privada, disse o ministro de Obras Públicas Miguel Rodrigo Pastor.

*Com BBC, Reuters e EFE

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