Honduras, um barril de pólvora inquieto pelo golpe de Estado

Por Esteban Israel TEGUCIGALPA (Reuters) - Proibido entrar com armas, adverte um cartaz na porta de um restaurante na capital de Honduras, um país com altos níveis de criminalidade e armado até os dentes, de onde alguns temem que se manifeste a violência depois do golpe militar do mês passado.

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Se alguém em Honduras quiser pegar em armas em resposta à deposição do presidente Manuel Zelaya, não precisaria ir muito longe. A polícia, no entanto, não se preocupa com uma guerra civil pela crise política, segundo um porta-voz.

"Corremos um risco alto, porque é muito fácil obter armas aqui em Honduras", disse Leyla Díaz, do Centro de Investigação e Promoção dos Direitos Humanos (Ciprodeh) em Tegucigalpa.

E nesta empobrecida nação da América Central, assim como nos outros países da região, como Guatemala ou El Salvador, as armas estão por todas as partes.

"É importante que a vejam, para intimidar", explicou Carlos Martínez, um segurança parado na frente de um hotel em Tegucigalpa com um revólver Taurus calibre 38 prateado preso ao cinto no melhor estilo vaqueiro.

E essa é somente parte das 280 mil armas registradas.

"Calculamos que haja outro meio milhão de armas de fogo ilegais no país, mas pode ser o dobro", disse Díaz, do Ciprodeh.

"Como consequência, temos uma das maiores taxas de homicídios per capita do mundo", disse a ativista à Reuters.

O índice de homicídios em Honduras foi de 57,9 por 100 mil habitantes em 2008, segundo o Observatório da Violência, um projeto da Organização das Nações Unidas e da Universidade Nacional Autônoma de Honduras.

GUERRA CIVIL?

A polícia reconhece o problema, mas diz não temer um banho de sangue pelo golpe de Estado, como alertou o presidente da Costa Rica e mediador nas frustradas negociações, Oscar Arias.

"É certo que há uma grande quantidade de armas automáticas ilegais, principalmente fuzis AK-47", disse à reuters o porta-voz da polícia, inspetor Daniel Molina.

"É um risco, mas uma guerra civil não nos preocupa. Aqui não há grupos guerrilheiros que podem dar uma utilidade bélica a essas armas", acrescentou.

(Reportagem adicional de Mica Rosenberg em San Pedro Sula)

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