Honduras terá duro caminho político após consulta pedida pelo presidente

Luis Alfredo Martínez. Tegucigalpa, 27 jun (EFE).- Honduras atravessará um complexo caminho rumo às próximas eleições independente do resultado e a realização da consulta deste domingo impulsionada pelo presidente, Manuel Zelaya, para convocar uma Assembleia Constituinte, disseram hoje políticos e diplomatas.

EFE |

Dirigentes políticos alertaram sobre um possível agravamento da tensão se não forem superadas as diferenças entre um amplo setor da sociedade hondurenha e Zelaya, mas manifestaram sua confiança que haverá eleições gerais no dia próximo 29 de novembro.

"Devemos retomar o leito das coisas", disse à Agência Efe o presidente do Partido Inovação e Unidade-Social-Democrata (PINU-SD), Jorge Aguilar, que expressou sua confiança em que "em janeiro o Governo vai mudar", como estabelece a Constituição.

Aguilar advertiu de possíveis "distúrbios" de "grupos de pressão" para obrigar o Parlamento a aceitar os resultados da consulta, que não é vinculativa e foi declarada ilegal pela justiça ordinária e eleitoral.

Uma eventual ação legal do Parlamento que pende contra Zelaya "vai polarizar mais" a situação, insistiu Aguilar.

O presidente do Partido Unificação Democrática de Honduras (UD, esquerda), César Ham, aliado de Zelaya, também advertiu à Efe sobre uma nova polarização uma vez realizada a consulta.

"A partir da segunda-feira, sem lugar para dúvidas a situação se vai se polarizar ainda mais e nós achamos que o mecanismo eficiente para encontrar uma solução é o diálogo", disse Ham, também candidato presidencial.

O presidente do Partido Nacional, principal força de oposição, e prefeito de Tegucigalpa, Ricardo Álvarez, declarou à imprensa que depois da consulta "o povo deverá continuar o rumo em direção às eleições".

O embaixador dos Estados Unidos em Honduras, Hugo Llorens, disse à imprensa que "olhando além da consulta, a situação em Honduras tem que ser normalizada, criar um diálogo político, focar nos temas que de verdade são primordiais", como as eleições.

"Em novembro, o povo hondurenho vai ter a oportunidade de escolher sua nova liderança e o processo democrático seguirá em frente", disse Llorens.

O Partido Nacional propôs hoje, através de seu candidato á Presidência, Porfirio Lobo, criar uma comissão de altos representantes da sociedade hondurenha e internacionais, para abrir "um grande diálogo nacional" e superar o conflito político.

Em uma consulta sem censo nem órgão supervisor, manuseada totalmente pelo Governo de Zelaya, que proclamará os resultados, os hondurenhos dirão se querem ou não que nas eleições, além de escolher presidente, deputados e prefeitos, se instale uma quarta urna para que se convoque uma Constituinte.

A consulta enfrenta a rejeição de um amplo setor político, empresarial, social e religioso, e inclusive o governante Partido Liberal abandonou hoje Zelaya ao pedir a seus membros que não participem da consulta por ser ilegal.

Segundo os opositores, o governante pretende utilizar o resultado para romper a ordem constitucional e continuar no poder além do dia 27 de janeiro, o que ele rejeita, embora não descarte aspirar no futuro à reeleição, proibida pela atual Constituição, vigente desde 1982.

A tensão que precede à consulta, que também não é respaldada pelas Forças Armadas, também reflete as diferenças acumuladas nos últimos anos entre Zelaya e diversos setores políticos, econômicos e certos meios de comunicação.

O embaixador Llorens reiterou o apoio de Washington a Zelaya, ao enfatizar que "o atual Governo é o Governo até (que termine) seu mandato" de quatro anos.

A tensão aumentou entre quarta-feira e quinta-feira, por causa da decisão de Zelaya de destituir o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, geral Romeo Vázquez, por não apoiar a consulta.

O Parlamento abriu na quinta-feira, entre rumores de golpe de Estado, uma investigação das atividades do presidente, ação que, segundo a própria Constituição, pode desembocar na destituição de Zelaya, embora o relatório da comissão encarregada continue pendente. EFE lam/ma

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