Honduras retoma toque de recolher

O toque de recolher voltou a vigorar em Honduras nesta quarta-feira após uma breve suspensão autorizada pelo governo interino do país, liderado por Roberto Micheletti. A suspensão ocorreu por sete horas, até às 17h (horário local, 20h de Brasília).

BBC Brasil |

Durante esse período, manifestantes realizaram uma série de manifestações isoladas na capital hondurenha, Tegucigalpa.

A polícia afirma que duas pessoas foram detidas e não há relatos de feridos.

Os manifestantes originalmente pretendiam chegar às imediações da embaixada brasileira, onde se encontra o presidente eleito, Manuel Zelaya, mas o local se encontra isolado por centenas de integrantes das forças de segurança.

Impossibilitados de se aproximar da casa diplomática, os protestos se concentraram no centro da cidade. Em frente à Catedral Metropolitana, ocorreram vários pequenos incidentes entre policiais e partidários do presidente deposto.

As forças de segurança chegaram a usar canhões de água para dispersar a multidão.

'Trocar de lado
Cerca de uma hora antes do final do toque de recolher, uma multidão concentrada na praça de fronte à catedral tentava convencer os policiais da tropa de choque que patrulhavam o local a "trocar de lado."
"Só estou fazendo meu trabalho, me deixe trabalhar em paz que tudo ficará bem", disse um policial a um dos líderes da manifestação.

"Então está fazendo mal este trabalho, você também é do povo, tem que estar do nosso lado e não de uma minoria", disse o manifestante, arrancando aplausos de dezenas de presentes.

Muitos dos que protestavam com mais veemência contra a polícia eram mulheres. Uma delas, Maria Dolores, disse à BBC Brasil que estava "encantada" com a atitude do presidente brasileiro Lula, que permitiu a presença de Zelaya na embaixada.

"Lula tem coragem, ao contrário destes (referindo-se aos policiais), Espero que não nos abandone!", disse.

Morte
O porta-voz do ministério da Segurança do governo interino, Orlin Cerrato, acusou os responsáveis pelos atos de vandalismo ocorridos na madrugada da quarta-feira de serem simpatizantes de Zelaya.

Mais de cem pessoas foram presas por atos de vandalismo. Foram registrados cerca de 50 incidentes de ataques a lojas, bancos e supermercados. Uma pessoa morreu durante os incidentes. Em entrevista à BBC Mundo, o chefe de polícia José Danilo Orellana confirmou a morte, embora não tenha fornecido mais informações sobre a identidade da vítima ou o modo como ocorreu o incidente.

Orellana apenas indicou que a morte ocorreu "em um bairro, durante uma manifestação de seguidores do presidente (Manuel) Zelaya, que arrombaram um supermercado para roubar". Zelaya acusou o governo interino de ser responsável pela suposta morte de dez de seus simpatizantes na terca-feira - alegação rejeitada pelo governo interino. Lula
Em Nova York, durante a abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo pela volta de Zelaya à Presidência do país e pediu atenção à segurança da embaixada brasileira em Tegucigalpa, que continua cercada por forças hondurenhas.

"A comunidade internacional exige que Zelaya reassuma imediatamente a Presidência de seu país e deve estar atenta à inviolabilidade da missão diplomática brasileira na capital hondurenha", disse Lula, sendo em seguida bastante aplaudido pelos líderes presentes na sede da ONU.

Em entrevista exclusiva à BBC Brasil nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, também afirmou que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, não vai usar a embaixada brasileira na capital hondurenha como instrumento político para convocar simpatizantes.

"Isso não vai acontecer", disse Amorim à BBC Brasil, em Nova York.

Também falando com exclusividade à BBC, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disse que o governo brasileiro conta com o respaldo de toda a comunidade internacional na sua atuação na crise política de Honduras.

"O governo do Brasil está atuando bem e atuou com o respaldo de toda - toda com letras maiúsculas - a comunidade internacional", disse.

O Departamento de Estado americano confirmou que o governo interino de Honduras fez um convite a um grupo de chanceleres de países da OEA para que viajem a Tegucigalpa a fim de participar das negociações para solucionar a crise.

"O ministro das Relações Exteriores do regime de facto, Carlos Lopez Contreras, convidou publicamente um grupo representativo de ministros da OEA para irem a Tegucigalpa para promover o diálogo", disse Ian Kelly, porta-voz do Departamento do Estado.

Kelly não deu mais detalhes sobre o convite ou sobre quando essa visita vai ocorrer.

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