Honduras respeitará embaixada, diz Micheletti

Por Gustavo Palencia TEGUCIGALPA (Reuters) - O presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, disse nesta terça-feira que seu governo respeitará a imunidade diplomática da embaixada brasileira, onde está o presidente deposto Manuel Zelaya.

Reuters |

Em entrevista à Reuters, Micheletti disse que o presidente deposto poderá morar na sede diplomática se quiser por "5 ou 10 anos".

"Nós não iremos fazer absolutamente nada que confronte outro país irmão, nós queremos que eles compreendam que ou lhe dão asilo político ou lhe entregam às autoridades hondurenhas para seu julgamento", disse Micheletti no Palácio Presidencial.

Porém, a embaixada está desde a madrugada rodeada por militares e policiais, que usaram gás lacrimogêneo no confronto com seguidores de Zelaya, deixando um saldo de vários feridos e detidos.

O Brasil disse que qualquer ação contra sua embaixada em Tegucigalpa seria intolerável e até ameaçou convocar uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a crise em Honduras.

Micheletti havia exigido ao governo brasileiro que entregasse o presidente deposto para ser preso sob acusação de ter violado a Constituição com sua tentativa de abrir caminho para sua reeleição presidencial ou lhe desse asilo para tirá-lo do país.

"Nós vamos respeitar o que mandam as leis nacionais e internacionais", disse Micheletti.

"Acho que os países do mundo não vão aceitar que dentro de suas sedes diplomáticas se permita que um cidadão esteja convocando a população à insurreição porque está contribuindo para um desastre que pode ter no país", acrescentou.

Com apoio dos setores políticos mais conservadores, o Congresso e a Justiça, os militares destituíram Zelaya no fim de junho e o expulsaram para a Costa Rica sob o argumento de ter violado a Constituição quando queria fazer uma consulta popular para a reeleição.

Zelaya acabou com quase três meses de exílio ao voltar de surpresa na segunda-feira a Tegucigalpa buscando abrigo na embaixada do Brasil para evitar que fosse preso. As negociações diplomáticas e as pressões internacionais para sua restituição fracassaram.

"Zelaya jamais voltará a ser presidente deste país", disse Micheletti.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG