Honduras resiste a pressão pela volta de Zelaya

Por Simon Gardner e Esteban Israel TEGUCIGALPA (Reuters) - Honduras não cederá à pressão internacional pela restituição do presidente Manuel Zelaya, disseram autoridades na quinta-feira, enquanto Zelaya prepara uma nova tentativa de voltar do exílio.

Reuters |

O governo formado depois do golpe militar de 28 de junho aceitou consultar o Congresso e a Suprema Corte sobre uma nova proposta que foi apresentada pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, e que inclui a restituição de Zelaya na Presidência.

No entanto, uma fonte oficial jogou água fria nas expectativas de uma solução. "Não acho que a Suprema Corte ou a Procuradoria Geral ou o Congresso irão alterar seus critérios. Acho que eles irão manter sua posição contra o retorno de Manuel Zelaya ao poder", disse Mauricio Villeda, negociador do governo interino na mediação exercida por Arias.

Zelaya disse que os esforços de Arias fracassaram e que ele mantém sua intenção de voltar da Nicarágua para Honduras pela fronteira terrestre, apesar das ameaças de prisão.

Militares hondurenhos bloquearam o avanço até a fronteira da Nicarágua de simpatizantes de Zelaya, a quem pretendem escoltar em seu retorno ao país, disse uma testemunha da Reuters. Alguns manifestantes eram camponeses da região.

Cerca de 50 militares, portando armas de combate, colocaram-se em três filas na estrada antes de Las Manos, a 10 quilômetros da fronteira com a Nicarágua, por onde o presidente deposto tinha planejado voltar a Honduras.

Governos da Europa, da América Latina e dos Estados Unidos tentam sem sucesso convencer o governo interino a recuar.

Valentin Suárez, dirigente da bancada do Partido Liberal (governista), disse que a maioria dos parlamentares votará contra a proposta de Arias.

"O Executivo, o Judiciário e o Congresso não podem estar errados", disse Suárez. "Essa é uma recomendação louca para Honduras."

A iniciativa de destituir Zelaya partiu inicialmente da Suprema Corte, com aval do Congresso, sob a acusação de que ele violou a Constituição ao tentar uma manobra para disputar a reeleição.

Os EUA condenaram o golpe, cortaram uma ajuda militar de 16,5 milhões de dólares e ameaçam reduzir também a ajuda econômica. Zelaya pede que Washington imponha sanções rígidas contra os indivíduos que lideraram o golpe e aderiram ao governo provisório.

Mas alguns parlamentares republicanos dizem que o governo de Barack Obama já fez muito por Zelaya, que é malvisto pela elite hondurenha devido à sua aproximação com o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

SEM ACUSAÇÕES

Zelaya pretende viajar na quinta-feira de Manágua para a localidade de Esteli, no trajeto para pequenas cidades que ficam próximas à fronteira com Honduras. Alegando razões de segurança, ele evitou dizer por que ponto da fronteira pretende voltar a seu país.

Sobre a possibilidade de resistir à prisão, disse que não poderia prever o que vai acontecer.

"Isso vai se dar quando eu estiver aí (...). Não há acusações, não há veredicto contra mim", disse Zelaya, que foi preso pelo Exército no meio da noite e tirado de pijama do país.

Dias depois, o Exército impediu seu avião de pousar em Tegucigalpa, e um manifestante pró-Zelaya foi morto em confronto com as forças de segurança. O governo interino garante que prenderá Zelaya se ele tentar voltar ao país.

(Com reportagem de Gustavo Palencia, Marco Aquino e Sean Mattson em Tegucigalpa, Edgard Garrido em Las Manos e Juana Casas em San José)

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