Honduras: negociações serão retomadas no domingo

O encontro dos representantes do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e do presidente interino, Roberto Micheletti, para tentar por fim à crise política em Honduras, terminou sem acordo no sábado à noite, com a promessa de que as negociações sejam retomadas neste domingo. Depois de nove horas de conversa, não houve acordo para o retorno do presidente Zelaya ao cargo, como exige a comunidade internacional e como propôs o mediador das negociações, o presidente costarriquenho Oscar Arias.

BBC Brasil |

Após o encontro de sábado, Arias saiu de sua casa acompanhado dos representantes de Zelaya, Rixie Moncada, e do representante de Micheletti, Carlos López, afirmando que não havia novidades para a imprensa.

As negociações deveriam ser retomadas neste domingo, por volta de 11h00 da manhã, hora local. Manuel Zelaya foi deposto no último dia 28 de junho, depois de tentar realizar uma consulta popular para reformas constitucionais, que permitiriam sua reeleição, dando início à crise.

Distância
"Há muita distância entre as posições" e faz falta "um esforço de flexibilidade" de ambas as delegações para que as posições se aproximem, disse Arias, acrescentando que López pediu tempo para refletir e consultar o governo interino sobre os sete pontos do acordo apresentado aos dois lados.

O primeiro ponto da proposta é "a legítima restituição de Manuel Zelaya à presidência da república", a condição mais difícil para qualquer acordo.

Arias também determinou um prazo - a próxima sexta-feira, 24 de julho - para este retorno.

Entre outros pontos da proposta está a confirmação de "um governo de unidade e reconciliação nacional" que, aparentemente, Micheletti também não aceita.

Além disso, Arias propõe uma anistia para crimes políticos e pede que Zelaya desista da consulta popular para reformar a Constituição - o que teria provocado o golpe em primeiro lugar.

A proposta também inclui antecipar para o último domingo de outubro as eleições presidenciais previstas para o dia 29 de novembro, a transferência do controle das Forças Armadas para o Tribunal Supremo Eleitoral um mês antes das eleições e a integração de uma comissão para verificar esses acordos.

A postura de Zelaya
Rixie Moncada, que negociou em nome de Zelaya, disse que sua delegação aceitou discutir a proposta de Arias "começando pela determinação de dia e hora para a volta" do presidente hondurenho ao cargo.

"A delegação de Micheletti pediu 15 horas para discutir a proposta", acrescentou ela, explicando assim o atraso para a retomada das negociações neste domingo.

Segundo Moncada, o processo pode ser bem sucedido "sempre e quando os que resistem a um acordo entendam que a comunidade internacional espera uma resolução para este conflito".

A delegação de Zelaya insistiu, desde o início, em uma solução que previsse a volta do presidente ao cargo, para depois chegar a um acordo sobre os outros pontos da proposta.

A postura de Micheletti
Carlos López apresentou os resultados desta rodada de negociações afirmando ser o representante do que chamou de "governo constitucional" de Honduras, presidido por Micheletti.

López, que foi ministro do Exterior hondurenho quando o país servia de base para os grupos contra-revolucionários que tentavam derrubar o regime Sandinista da Nicarágua, nos anos 80, reconheceu que "não há acordo entre as partes até o momento" e acrescentou que sua delegação está disposta a examinar mais detalhadamente a proposta apresentada por Arias.

As negociações de sábado ocorreram em meio a diversos rumores sobre a posição de cada lado.

Até agora, no entanto, os dois lados só concordaram em continuar as negociações neste domingo, sem qualquer garantia de um resultado satisfatório, mas também sem que, pelo menos por enquanto, as portas para o diálogo estejam completamente fechadas.

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