Honduras: militares fecham estrada na fronteira para barrar seguidores de Zelaya

Militares hondurenhos suspenderam o trânsito de pessoas e veículos para a Nicarágua, a 10 quilômetros da fronteira, para impedir o avanço de partidários do presidente deposto Manuel Zelaya, que está tentando regressar ao país por terra a partir do território nicaraguense.

AFP |

Após o fim do toque de recolher de 12 horas, às 06H00 locais (12H00 GMT), os militares mantiveram bloqueada a circulação na estrada entre Tegucigalpa e o povoado fronteiriço de Las Manos. Os seguidores de Zelaya permanecem no povoado de El Paraíso, a 10 quilômetros do limite imposto pelos militares.

O exército também impediu que jornalistas passassem pela fronteira nicaraguense, mas o coronel que comanda a operação disse que a imprensa poderia seguir até Las Manos, onde fica a passagem para a Nicarágua.

"Temos ordens superiores de não deixar ninguém passar", indicou aos jornalistas o coronel Arcadio Castillo Martínez.

No entanto, ponderou, "não podemos criar problemas que impeçam a imprensa de fazer seu trabalho".

"O que queremos é que outras pessoas que não queremos que entrem, entrem", concluiu, referindo-se aos partidários do presidente deposto.

As escolas e algumas instituições públicas de Honduras mantêm nesta sexta-feira a paralisação iniciada na quinta para pressionar pelo retorno do presidente derrubado.

Meios ligados ao governo de fato de Roberto Micheletti advertiam nesta sexta que Zelaya será detido pelos militares se chegar a Honduras, de acordo com uma ordem de captura emitida pela justiça.

Zelaya iniciou na quinta-feira uma operação de regresso a Honduras, de onde foi expulso no dia 28 de junho, após o golpe militar que o tirou do poder.

Na quarta-feira a tentativa de diálogo em San José com a mediação do presidente costarriquenho Oscar Arias para acabar com a crise política fracassou.

Na quinta-feira, os militares já haviam bloqueado a passagem de veículos na estrada que liga as duas fronteiras, mas ainda não estavam impedindo o trânsito de pessoas a pé.

Na noite desta quinta-feira, Zelaya chegou à cidade de Estelí, na Nicarágua, primeira escala de seu trajeto, acompanhado do chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, onde chamou seus seguidores a se mobilizarem na fronteira.

"Vou andando para Honduras. Espero que grande parte do povo hondurenho possa superar as barreiras do exército na fronteira para impedir sua passagem", disse Zelaya ao chegar a Estelí, 149 km a norte de Manágua, perto da fronteira com Honduras.

Zelaya entrou em Estelí às 20H00 locais (02H00 GMT) com uma caravana de mais de 50 veículos de jornalistas de agências e da imprensa internacional, além de compatriotas.

O presidente deposto planeja organizar sua entrada em Honduras na madrugada de sexta-feira para sábado.

Ao chegar a Estelí, o governante hondurenho foi recebido por seguidores do governante Frente Sandinista (FSLN, esquerda) da Nicarágua, que foram às ruas para cumprimentá-lo.

os-fj/lm/ap

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