Honduras: Madri, Paris e Roma chamam embaixadores, UE não fala com governo

Espanha, Itália e França convocaram nesta quarta-feira para consultas seus embaixadores em Honduras após o golpe de Estado, enquanto o resto dos países da União Europeia (UE) concordou em não manter contato direto com o novo governo.

AFP |

O ministério espanhol de Assuntos Exteriores anunciou sua decisão de chamar para consultas seu representante diplomático em Tegucigalpa com "a esperança de que isso contribua, na esteira dos esforços internacionais em curso, para o restabelecimento da institucionalidade democrática".

Pouco depois, foi a vez de Paris seguir pelo mesmo caminho: "a França condena firmemente a derrubada da ordem constitucional em Honduras e eu decidi convocar para consulta nosso embaixador", declarou o chanceler Bernard Kouchner.

O ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, decidiu, "de acordo com todos países da União Europeia", chamar para consultas o embaixador Giuseppe Magno, indicou um comunicado da chancelaria.

O chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos, propôs na terça-feira que os países da UE chamassem para consultas seus representantes, para mostrar seu repúdio ao golpe de Estado que derrubou o presidente Manuel Zelaya.

Em Bruxelas, no entanto, "os países europeus pediram que (os embaixadores) permaneçam para monitorar a situação", explicaram à AFP fontes diplomáticas após uma reunião do Comitê de América Latina do Conselho Europeu que abordou a questão.

Além de Espanha, França e Itália, poucos países europeus mantêm embaixadas em Tegucigalpa.

Os países da UE, porém, decidiram "manter a pressão" sobre o presidente designado, Roberto Micheletti, optando por não manter contato direto com o novo governo.

Na América do Sul, a Colômbia também anunciou nesta quarta-feira a convocação de sua embaixadora em Honduras, Sonia Pereira, exigindo a restituição imediata do poder ao presidente deposto.

"A embaixadora da Colômbia em Honduras foi chamada para consultas", indicou um comunicado do ministério das Relações Exteriores.

Enquanto isso, a organização internacional de defesa da imprensa Repórteres Sem Fronteiras (RSF) manifestou nesta quarta-feira em Paris sua preocupação com a situação dos meios de comunicação em Honduras, seja qual for o desenlace do golpe de Estado que derrubou Zelaya.

"Com a hostilidade dos golpistas e o anunciado regresso a Honduras do presidente Manuel Zelaya, a RSF teme que se agrave a situação da imprensa, depois do golpe de Estado de 28 de junho de 2009", indicou a organização.

"A ampla censura imposta pelos militares à imprensa internacional e aos meios nacionais contrários ao golpe se soma à escalada de veículos favoráveis ao mesmo", acrescentou.

A RSF diz temer novas censuras contra uma parte da imprensa pelo simples fato de ter utilizado o termo "golpe de Estado".

app-lmm/ap

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