O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, reconheceu de maneira tácita que a eleição de Porfirio Lobo à Presidência de Honduras parece ser um fato irreversível, apesar de seus questionamentos a respeito da legitimidade do pleito no país centro-americano. Parece evidente, nestas circunstâncias, que não há obstáculos internos à posse de Lobo, no próximo dia 27 de janeiro, afirmou Insulza durante sessão do Conselho Permanente da OEA em Washington, na última sexta-feira.

"É esta realidade sobre a qual os países membros da OEA deverão se pronunciar, (embora) em suas declarações mais recentes eles mantenham as mesmas diferenças que haviam surgido antes das eleições", disse.

Países como Brasil, Argentina, Bolívia e Venezuela continuam defendendo o não reconhecimento das eleições e reivindicando a volta do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, ao poder.

Já um bloco formado por Estados Unidos, Colômbia, Costa Rica, Panamá e Peru reconheceu o resultado das eleições de 29 de novembro, que deram vitória a Lobo.

Democracia
Embora tenha afirmado que "não é possível chegar a um veredicto definitivo", Insulza deixou aberta a possibilidade de que Lobo tome as medidas necessárias para que o país caminhe para restabelecer os laços com a OEA.

Honduras está suspensa da OEA desde julho, por haver supostamente violado a Carta Democrática do bloco com a deposição de Zelaya.

Segundo Insulza, a restauração da ordem democrática no país dependerá "das iniciativas que o senhor Porfírio Lobo adotar antes e depois de sua posse".

Brasil
Na última sexta-feira, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que o governo brasileiro terá de considerar as eleições em Honduras nas discussões sobre a crise política no país.

"Em Honduras não estávamos discutindo eleição, estávamos discutindo golpe de Estado. Há uma diferença muito grande entre uma coisa e outra", disse Dilma.

"Acho que esse novo processo aí [eleitoral] vai ter que ser considerado. Houve uma eleição".

As declarações de Dilma podem sinalizar uma mudança de tom por parte do governo brasileiro em relação à crise hondurenha.

Até então, as declarações de autoridades brasileiras, entre elas o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, iam no sentido de que o governo não reconheceria o pleito.

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