O governo de fato de Honduras, liderado por Roberto Micheletti, garantiu nesta terça-feira, em rede nacional de rádio e TV, que não pretende invadir a embaixada do Brasil para deter o presidente deposto, Manuel Zelaya.

"Não planejamos e nem faremos qualquer coisa na embaixada de qualquer país para deter o senhor Manuel Zelaya", declarou a vice-chanceler Martha Lorena Alvarado, destacando que o presidente deposto deve se entregar ou viajar para o Brasil.

O chanceler hondurenho, Carlos López Contreras, "já enviou à chancelaria do Brasil uma nota categórica e muito clara manifestando a necessidade de que se esclareça o status do senhor Zelaya dentro da embaixada" do Brasil em Tegucigalpa, destacou Alvarado.

Zelaya "deverá ser entregue aos tribunais de Justiça ou sair do país por meio da embaixada do Brasil, seja como exilado político ou como julgarem conveniente".

O Brasil, como o restante da comunidade internacional, não reconhece o regime de Micheletti e rejeita qualquer nota da chancelaria do atual governo hondurenho, explicou um diplomata sul-americano à AFP.

Zelaya está refugiado na companhia de 300 pessoas, entre elas doze crianças, que não comem nada desde segunda-feira.

Os poucos alimentos acabaram e quase não há água na embaixada, cuja luz é fornecida por um gerador próprio, movido a diesel.

A polícia hondurenha já tinha descartado a invasão da embaixada em Tegucigalpa para capturar Zelaya: "Isso não pode ser feito porque estamos falando de convenções internacionais, e é preciso respeitar as leis internacionais", disse o oficial Orlin Cerrato à AFP.

"Isso não vai ser feito, não vamos violar o direito internacional, as convenções internacionais".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está em Nova York para a Assembléia Geral das Nações Unidas, advertiu o governo hondurenho de fato para que respeite a imunidade da embaixada brasileira.

"Nós esperamos que os golpistas não entrem na embaixada (...). Pedi (a Zelaya) que tivesse muito cuidado para não dar pretexto algum aos golpistas para recorrer à violência".

As ruas próximas à embaixada do Brasil estão bloqueadas por militares e policiais de choque, que impedem a passagem, inclusive da imprensa.

A polícia e o Exército assumiram o controle da região após expulsar, na manhã de hoje, cerca de 4 mil seguidores de Zelaya que se concentravam diante da embaixada.

O governo hondurenho ampliou, agora a noite, o toque de recolher no país, até às 06H00 local (09H00 Brasília) de quarta-feira.

O toque de recolher, que terminaria na noite de hoje, foi prorrogado por mais 12 horas.

nl/LR

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