Honduras em alerta máximo com esperado retorno de Zelaya

Honduras está em estado de alerta máximo, depois que o presidente deposto Manuel Zelaya confirmou que pretende voltar ao país neste domingo - o governo golpista mobilizou tropas e fechou o espaço aéreo para aviões presidenciais de outros países.

AFP |

"Está proibida de aterrissar a aeronave que estiver trazendo o ex-presidente, independentemente de quem vier junto e de qual aeronave seja", declarou o chanceler do governo interino Enrique Ortez, em entrevista a uma rádio local.

Em Washington, Zelaya reafirmou que viajaria neste domingo, e informou que o nicaraguense Miguel d'Escoto, presidente da Assembléia Geral das Nações Unidas, se ofereceu para acompanhá-lo.

"Estou viajando neste momento para Tegucigalpa", disse Zelaya, acrescentando que Miguel Insulza, presidente da Organização dos Estados Americanos (OEA) se dirigia para El Salvador com os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, do Paraguai, Fernando Lugo, e do Equador, Rafael Correa.

Na noite de sábado, a OEA decidiu por unanimidade suspender Honduras da organização por ter violado a Carta Democrática, decisão que não era tomada desde 1962, quando Cuba foi expulsa.

O aeroporto de Toncontin, na capital hondurenha, foi tomado pelas forças de segurança, e muitas companhias aéreas cancelaram voos para evitar problemas.

Ao mesmo tempo, milhares de pessoas, vindas de diferentes cidades do país, tantavam chegar ao aeroporto para receber Zelaya, derrubado no dia 28 de junho por um "golpe militar", como classificou Insulza.

Aos gritos de "Queremos Mel!" e "Fora traidores golpistas", milhares de defensores do presidente deposto se reuniram em Tegucigalpa e anunciaram sua intenção de marchar até o aeroporto. Mel é o apelido de Manuel Zelaya.

"Veimos de Choluteca (sul) porque queremos acompanhar 'Mel' em sua volta e garantir que nada lhe aconteça, porque ele é o presidente constitucional dos hondurenhos", declarou Roberto Ríos à AFP.

"Faremos resistência até que ele chegue (...). Zelaya é o único na história que nos ouviu", destacou por sua vez Gerardo Mejía, um dos líderes sociais que coordenam a mobilização pupular.

O líder camponês Rafael Alegría, dirigente de uma das organizações do chamado Bloco Popular, que orienta a mobilização, calculou em cerca de 100.000 o número de pessoas que chegaram neste domingo à capital hondurenha, apesar das medidas tomadas pelo governo de Roberto Micheletti.

Zelaya corre o risco de ser preso assim que pisar em Honduras. Depois do golpe que o derrubou, o ministério público hondurenho o acusou de 18 crimes, como traição à pátria.

Insulza alertou que o retorno de Zelaya é uma iniciativa perigosa.

"Acho que há riscos, claro. Se me perguntarem se será um regresso seguro, obviamente acredito que não", declarou.

Através de seu cardeal Oscar Andrés Rodríguez, a Igreja católica hondurenha apoiou o governo golpista e pediu a Zelaya que "evite um banho de sangue" e não volte.

bur-af/ap

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