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Honduras e gripe suína tomam lugar do comércio em Cúpula do Mercosul

ASSUNÇÃO - Sem perspectivas de grandes avanços na área comercial, os países do Mercosul terão outras prioridades na 37ª cúpula de presidentes, que acontece nesta sexta-feira, em Assunção, Paraguai. Temas como a gripe suína e a situação política de Honduras estão no topo da agenda.

BBC Brasil |

Na avaliação de um representante brasileiro que participou de reuniões preparatórias, o fato de o comércio ter ficado de lado é reflexo de um período de crise existencial entre os países-membros.

"Os últimos meses foram marcados por tentativas protecionistas entre os países do bloco e pela falta de consenso sobre questões importantes, como a discussão a respeito do fim da cobrança dupla da Tarifa Externa Comum (TEC), diz a fonte.

Diante de divergências na relação comercial, caberá ao bloco anunciar medidas mais significativas em outras áreas ¿ sobretudo em relação à gripe suína. "Esse, sim, é um assunto em que há consenso, disse uma fonte da diplomacia paraguaia.

Outro tema de fácil entendimento entre os países do Mercosul diz respeito à crise política em Honduras. Os quatro líderes do bloco devem discutir formas de contribuir para um acordo entre o presidente deposto, Manuel Zelaya, e seu atual substituto, Roberto Micheletti.

"Gripe suína"

Uma das preocupações dos países do Mercosul é reforçar o controle sanitário nas fronteiras para evitar a dispersão do vírus da nova gripe.

Os presidentes do bloco pretendem discutir, ainda, critérios comuns para a administração da vacina contra a gripe suína, que deve estar disponível no ano que vem.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) fará recomendações sobre que grupos deverão ser vacinados em uma primeira fase, mas os países já se prepararam para um cenário de poucas vacinas.

Honduras

Apesar de não constar oficialmente na agenda da Cúpula, a situação política de Honduras também deve ser um dos principais temas em Assunção.

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, adiantou que os países devem divulgar um comunicado de apoio ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya.

Comércio

Na avaliação de uma fonte do governo brasileiro, o mandato paraguaio na Presidência do bloco, que termina nesta sexta-feira, foi marcado por uma paralisia nas negociações comerciais dentro do Mercosul. Essa última Presidência do Paraguai não vai deixar saudades, disse a fonte.

Havia a expectativa de que os países chegassem a um acordo sobre o fim da cobrança múltipla da Tarifa Externa Comum (TEC). Os líderes chegaram bem próximo de um acordo na última cúpula, em dezembro, mas o Paraguai vetou a proposta final.

A cobrança múltipla (ou dupla) da TEC é apontada por especialistas como um dos principais entraves ao fortalecimento do Mercosul. Produtos que chegam de outros países pagam a tarifa mais de uma vez, na medida em que circulam pelos países do Mercosul.

A crise econômica mundial também afetou as relações entre os países do bloco. Desde janeiro, a Argentina vem tentando proteger sua produção local, aumentando as barreiras comerciais em alguns setores, como o têxtil.

Dentro do governo brasileiro, é forte a pressão ¿ sobretudo do Ministério da Fazenda ¿ para que algumas medidas de retaliação sejam tomadas. Mas o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva teme um desgaste político com os países da região.

Exportações

A Cúpula de presidentes do Mercosul acontece em um momento em que as exportações brasileiras para os países do bloco têm caído de maneira acentuada.

As exportações brasileiras vêm caindo de uma forma geral desde o agravamento da crise financeira, mas a situação é ainda pior com os parceiros do Mercosul.

De janeiro a junho de 2009, as vendas totais para o exterior caíram 22% em comparação ao mesmo período do ano passado. Para o Mercosul, a queda foi de 40%.

Uma forma ainda viável de revitalizar o Mercosul, na avaliação do governo brasileiro, é estimular o comércio do bloco com outros países ¿ assunto que será discutido em Assunção.

Entre os acordos comerciais mais avançados estão aqueles com Israel e Turquia. Um dos objetivos durante a cúpula é aprofundar os acordos com África do Sul e Índia, considerados de alto potencial para os países do Mercosul, mas que ainda são limitados, na avaliação de uma fonte do governo brasileiro.

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