TEGUCIGALPA (Reuters) - O governo de facto de Honduras deu um ultimato ao Brasil para que defina, em 10 dias, a situação do presidente deposto, Manuel Zelaya, refugiado em sua embaixada desde que retornou ao país. Em um comunicado emitido pela chancelaria na noite de sábado, o governo golpista pediu ao Estado brasileiro que sua embaixada, sitiada por policiais e soldados, não seja utilizada para insuflar uma ressurreição pró-Zelaya.

"Nos veremos obrigados a tomar medidas adicionais, conforme prevê o direito internacional", disse a nota, sem determinar, no entanto, que medidas seriam essas.

O Brasil ante o Conselho de Segurança das Nações Unidas que sua missão diplomática e suas instalações em Tegucigalpa fossem respeitadas.

Zelaya refugiou-se na embaixada brasileira na última segunda-feira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que ele pode permanecer lá por quanto tempo for necessário.

Mas o governo de Roberto Micheletti havia dito previamente que o Brasil deveria decidir entre dar-lhe asilo político ou entrá-lo à justiça hondurenha para ser julgado por suposta violação da Constituição.

A chancelaria daquele país informou, ainda, que não permitiria o retorno dos embaixadores da Argentina, Espanha, México e Venezuela, retirados logo após o golpe, a menos que esses países reconheçam o governo de facto.

A medida tende a aumentar o isolamento internacional a que Honduras foi submetida e liquida as ilusões de um diálogo entre Zelaya e Micheletti. Enquanto isso, as ruas de Tegucigalpa continuam conflagradas entre contrários e apoiadores de Manuel Zelaya.

Cerca de 2 mil partidários do presidente deposto marcharam

no sábado pelas ruas da capital.

Ao passar pela embaixada dos Estados Unidos, jogaram seus sapatos ao ar para exigir uma maior pressão do governo Barack Obama sobre o governo de facto. O ato faz referência ao episódio em que um jornalista iraquiano arremessou um mocassim em George W. Bush numa coletiva de imprensa.

Há três meses, Zelaya foi tirado da cama sob a mira de uma pistola e expulso de seu país de pijamas.

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