Honduras cria comissão para esclarecer golpe militar

TEGUCIGALPA (Reuters) - Honduras criou nesta terça-feira uma comissão da verdade que tentará esclarecer o golpe militar do ano passado contra o ex-presidente Manuel Zelaya, dando início a uma grave crise política. Zelaya, um aliado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi deposto no dia 28 de junho quando planejava realizar uma consulta popular proibida por um juíz, e que abriria caminho para a reeleição presidencial.

Reuters |

Os poderes Legislativo e Judiciário, políticos e empresários críticos do presidente que incentivaram a queda de Zelaya afirmaram que ele planejava perpetuar-se no poder, assim como Chávez. Mas o ex-presidente negou as afirmações e acusou grupos de poderes econômicos de serem responsáveis pela ação militar.

"Queremos que a comissão da verdade permita esclarecer todo o ocorrido antes e depois de 28 de junho e que episódios deste tipo não voltem a ocorrer em Honduras", disse o presidente Porfirio Lobo após a aprovação da "Comissão da Verdade e Reconciliação" no Conselho de Ministros.

O grupo, que iniciará oficialmente os trabalhos em 30 de abril e apresentará um relatório em oito meses, será composto por dois delegados hondurenhos e três estrangeiros.

A comissão foi formada em cumprimento de acordo aprovado por Washington e pela Organização dos Estados Americanos (OEA) em outubro entre Zelaya e o ex-presidente de facto Roberto Micheletti, em uma tentativa de pôr fim à crise política.

No entanto, este pacto, conhecido como Tegucigalpa-San José, não foi reconhecido pelo ex-presidente.

A criação da comissão poderá ajudar a comunidade internacional a restabelecer as relações com o novo governo de Honduras, em especial a OEA, que suspendeu Honduras após o golpe.

(Reportagem de Gustavo Palencia)

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