Homossexualismo masculino tem explicação evolutiva, segundo estudo

Washington, 17 jun (EFE).- O homossexualismo humano pode ser explicado por uma teoria da evolução elaborada por Charles Darwin, que no século XIX assinalou que os fatores genéticos dão uma vantagem reprodutiva a um sexo em detrimento do outro.

EFE |

Assim consta de um estudo divulgado hoje pela revista "Public Library of Science" ("PLoS").

Essa forma evolutiva, conhecida como "seleção sexual antagônica", já foi comprovada em insetos, aves e até alguns mamíferos, mas nunca tinha sido constatado em seres humanos, segundo os cientistas Andrea Camperio Ciani, da Universidade de Pádua e Paolo Cermelli, da Universidade de Turim.

Em geral, os cientistas dizem que o homossexualismo masculino é influída por fatores psicossociais com componentes genéticos.

Indicam que isto se manifesta na alta coincidência de orientação sexual de gêmeos idênticos e o fato de que o homossexualismo é mais comum em homens que provêm de uma linha materna de homossexuais varões.

Segundo os cientistas, estes efeitos não se apresentam no homossexualismo feminino o que indica que os dois fenômenos podem ter dinâmica e origens diferentes.

Assinalam que até há algum tempo era difícil explicar a base de modelos evolutivos, porque os vetores dos genes que predispõem ao homossexualismo masculino teriam uma menor reprodução e um posterior desaparecimento.

No entanto, essa idéia mudou quando Ciani demonstrou em 2004 que as mulheres na linha materna de homossexuais varões eram mais férteis que a média.

Para tirar as dúvidas, os cientistas italianos analisaram várias hipóteses, incluindo o efeito genético maternal, a vantagem heterocigótica e a "seleção sexual antagônica".

Após examinar esses modelos, determinaram que o único possível era o da seleção antagônica que envolve pelo menos dois genes, um dos quais deve ser o cromossomo X que os varões herdam de sua mãe.

Os resultados deste modelo mostram a relação do homossexualismo masculino com uma fecundidade feminina nas povoações humanas o que tem como resultado uma manutenção do homossexualismo entre os varões em freqüências estáveis e relativamente baixas.

Além disso, o modelo ressalta os efeitos hereditários através da linha materna, segundo os cientistas.

Eles acrescentam que suas conclusões proporcionam uma nova visão do homossexualismo masculino e afirmam que não se deveria considerá-lo como um traço negativo (devido a uma menor fecundidade masculina), mas como uma característica que promove a fecundidade feminina. EFE ojl/ma

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