Homicídios abalam reta final da campanha eleitoral no Iraque

BAGDÁ - As eleições provinciais no Iraque foram manchadas de sangue, na última quinta-feira, com o assassinato de três candidatos e de dois membros da Comissão Eleitoral, a algumas horas do encerramento da campanha, que havia transcorrido em um clima particularmente sereno.

AFP |

No final da tarde de quinta-feira, homens armados abriram fogo sobre Omar Faruk al-Ani, candidato da Frente da Concórdia Nacional, diante de sua casa, no bairro de Al-Amriya, no oeste de Bagdá, segundo fontes do Exército e a polícia.

A Frente da Concórdia Nacional é o principal grupo sunita do Parlamento iraquiano. Omar Faruk al-Ani era membro do Partido Islâmico, que integra a coalizão.

Em Mossul (365 km ao norte de Bagdá), Hazem Salem Ahmad, candidato da legenda sunita Unidade Nacional Iraquiana, de 51 anos, também foi atingido na frente de casa, por desconhecidos armados, disse o comandante Mustapha Ahmed, da polícia local. Os criminosos fugiram, acrescentou Ahmed.

Essa legenda apolítica de 22 membros, que inclui quatro mulheres, foi iniciada por Anuar al-Nidda, conselheiro do primeiro-ministro para Assuntos Tribais.

Mossul ainda é considerada "o último bastião urbano da Al-Qaeda" pelos Exércitos iraquiano e americano.

Perto de Mandali, uma localidade ao nordeste de Bagdá, junto da fronteira com o Irã, Abbas Farhan al-Khuburi - candidato da coalizão Reforma e Desenvolvimento, formada por sunitas, xiitas e curdos - e outros dois membros da comissão eleitoral foram abatidos por desconhecidos, declarou o general Nazem Khalil, chefe dos guardas de fronteira da região.

Alvos privilegiados

Os políticos são alvos privilegiados dos atentados cometidos pela Al-Qaeda e pelos insurgentes iraquianos. Recentemente, por exemplo, o grupo de rebeldes Ansar al-Islam declarou que as eleições são "uma criação dos infiéis que não têm nada a ver com o Islã".

Em 16 de janeiro, um candidato do partido do primeiro-ministro Nuri al-Maliki foi abatido em Al-Mahauil (80 km ao sul de Bagdá), e quatro pessoas ficaram feridas no tiroteio.

No final de dezembro, um outro candidato, o número 2 da legenda Iraque para todos - um partido laico que inclui, principalmente, ex-oficiais do Exército do ex-ditador Saddam Hussein -, foi morto por um indivíduo armado, em Mossul.

Além dessas mortes, vários candidatos e membros do governo foram alvo de tentativas de assassinato. Em Mossul, vários partidos reivindicaram, no fim do ano, a proteção das autoridades, pedindo que medidas sejam tomadas para que a segurança esteja garantida no dia da votação.

Eleições no sábado

Cerca de 15 milhões de iraquianos foram convocados para comparecer nas urnas, no sábado, para as eleições que serão realizadas em 14 das 18 províncias do território.

Há 14.431 candidatos concorrendo pelas 440 cadeiras em disputa nos conselhos provinciais, instâncias que nomeiam os governadores das províncias.

Essas eleições são consideradas um verdadeiro teste da capacidade das forças iraquianas para conseguir manter a segurança no país, já que as forças americanas deverão deixar cidades e povoados até o final de junho de 2009, segundo acordo assinado em 17 de novembro por Bagdá e Washington.

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