Pelo menos 60 pessoas morreram e 125 ficaram feridas em um duplo atentado suicida cometido nas proximidades de um santuário xiita do bairro de Khadamiyah, em Bagdá, anunciou uma fonte do ministério da Defesa.

AP

Iraquianos carregam caixão de vítima de atentados suicidas

Segundo o comunicado, a maioria das vítimas se dirigia ao santuário para a tradicional oração das sextas-feiras. Dos 125 feridos, 80 são peregrinos iranianos.

Aparentemente, os autores dos atentados chegaram ao local com explosivos presos no corpo e os detonaram durante as orações do dia sagrado para os muçulmanos. 

Aumento da violência

O ataque ocorre em meio a preocupações de que uma recente queda na violência possa ser revertida no pela ação dos militantes no país.

Analistas dizem que os atentados podem se intensificar nos próximos meses devido à proximidade das eleições nacionais e da retirada das tropas norte-americanas das cidades do país, preparando a desocupação total até o final de 2011.

Embora a violência no Iraque tenha diminuído nos últimos meses, diversos grupos continuam promovendo ataques regulares. Atentados suicidas em geral são atribuídos à Al Qaeda.

Também na quinta-feira, as autoridades anunciaram a prisão do suposto líder de um grupo vinculado à Al Qaeda. No dia seguinte, porém, nem a polícia local nem os militares dos EUA foram capazes de confirmar que se trata de Abu Omar Al Baghdadi, apontado como chefe do autointitulado Estado Islâmico do Iraque.

Alguns especialistas duvidam da própria existência de Al Baghdadi, sugerindo que seria um personagem fictício criado pela Al Qaeda iraquiana.

"Acredito que Abu Omar Al Baghdadi não seja uma pessoa real, e sim um título dado a um iraquiano que aja como títere iraquiano do Estado Islâmico do Iraque/Al Qaeda do Iraque, para que eles possam dizer que há liderança dos iraquianos, quando, quase certamente, (os grupos são) liderados por 'jihadistas' estrangeiros", disse Terry Kelly, pesquisador da entidade Rand Corporation e ex-assessor do ex- embaixador norte-americano em Bagdá Zalmay Khalilzad.

Histórico

Não é a primeira vez que há atentados neste santuário xiita ou em seus arredores. O santuário de Moussa al-Kazim, um dos doze imames xiitas, é um dos mais sagrados para os muçulmanos dessa orientação.

Em 8 de abril, sete pessoas morreram e 23 ficaram feridas devido à explosão de uma bomba perto do mausoléu do imame Al-Sherif al-Radi, a poucos metros do santuário do imame Kazim.

Em 4 de janeiro, uma mulher detonou um cinto de explosivos em um posto de controle situado perto do mesmo santuário e, no atentado, houve 37 mortos e 53 feridos. A maioria das vítimas era de peregrinos xiitas.

As explosões desta sexta-feira ocorrem um dia depois que  76 pessoas morreram em dois atentados suicidas . O pior deles deixou pelo menos 48 mortos em um restaurante perto de Baaquba, a nordeste de Bagdá.

Em Bagdá, 28 pessoas foram mortas e 52 ficaram feridas em um atentado suicida contra uma patrulha da polícia. 

(*com informações das agências Efe, Reuters e AFP)

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