Homens-bomba matam 60 em mesquita de Bagdá

Por Aws Qusay BAGDÁ (Reuters) - Dois militantes suicidas com trajes explosivos mataram 60 pessoas na sexta-feira nos portões de uma mesquita xiita de Bagdá, disse a polícia iraquiana. Foi o segundo dia consecutivo de grande violência no país.

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O ataque foi o mais grave incidente do gênero no Iraque desde que 63 pessoas morreram em uma bomba colocada em um caminhão em 17 de junho do ano passado. Ele ocorre em meio a preocupações de que uma recente queda na violência possa ser revertida no pela ação dos militantes no país.

Pelo menos 125 pessoas ficaram feridas no ataque contra o templo Imã Moussa Al Kadhim, no bairro xiita de Kadhimiya, alvo freqüente dos grupos insurgentes, de acordo com a polícia.

As autoridades disseram que os homens-bomba se misturaram à multidão de xiitas em dois portões diferentes da mesquita. Um deles se explodiu no pátio onde ficam as tumbas de dois importantes imãs. A sexta-feira é o dia de maior movimento nos templos islâmicos.

Na véspera, o Iraque registrara dois atentados suicidas, um em Bagdá e outro em Diyala (nordeste), com um total de 89 mortos. Aparentemente, foi o maior número de vítimas em um só dia no último ano.

Analistas dizem que os atentados podem se intensificar nos próximos meses devido à proximidade das eleições nacionais e da retirada das tropas norte-americanas das cidades do país, preparando a desocupação total até o final de 2011.

Embora a violência no Iraque tenha diminuído nos últimos meses, diversos grupos continuam promovendo ataques regulares. Atentados suicidas em geral são atribuídos à Al Qaeda.

Também na quinta-feira, as autoridades anunciaram a prisão do suposto líder de um grupo vinculado à Al Qaeda. No dia seguinte, porém, nem a polícia local nem os militares dos EUA foram capazes de confirmar que se trata de Abu Omar Al Baghdadi, apontado como chefe do autointitulado Estado Islâmico do Iraque.

Alguns especialistas duvidam da própria existência de Al Baghdadi, sugerindo que seria um personagem fictício criado pela Al Qaeda iraquiana.

"Acredito que Abu Omar Al Baghdadi não seja uma pessoa real, e sim um título dado a um iraquiano que aja como títere iraquiano do Estado Islâmico do Iraque/Al Qaeda do Iraque, para que eles possam dizer que há liderança dos iraquianos, quando, quase certamente, (os grupos são) liderados por 'jihadistas' estrangeiros", disse Terry Kelly, pesquisador da entidade Rand Corporation e ex-assessor do ex- embaixador norte-americano em Bagdá Zalmay Khalilzad.

"Não é a primeira vez que há afirmações de que ele foi apanhado ou morto. As afirmações anteriores podem ser verdadeiras."

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