Três homens-bomba atacaram nesta segunda-feira a principal sede dos serviços de inteligência em Kandahar, segunda maior cidade do Afeganistão, e manifestantes protestaram contra um novo incidente em que a Otan é suspeita de matar civis.

O ataque foi o segundo nesta semana em Kandahar, berço do Taleban, onde a Otan pretende realizar uma grande operação nos próximos meses, como parte dos seus oito anos de guerra contra os militantes islâmicos no país.

No ataque na cidade de Kandahar, três militantes tentaram ocupar a sede do serviço de espionagem, num ousado ataque à luz do dia, segundo autoridades.

"Eles estavam armados com pistolas, granadas de mão e coletes suicidas", disse Ahmad Wali Karzai, presidente do Conselho Provincial local.

"Um deles conseguiu se explodir, e os outros dois foram abatidos a tiros. Dois agentes de segurança ficaram feridos", disse ele, acrescentando que a situação foi controlada após o tiroteio.

Os agressores atiraram uma granada em uma escola, ferindo um professor e outro funcionário, segundo Karzai. Houve pânico nas ruas, que estão sob intenso policiamento, disseram testemunhas.

Protesto contra a Otan

Em outra parte da província de Kandahar, centenas de manifestantes protestaram contra a morte de quatro civis. Cerca de 200 homens se concentraram no centro da cidade, onde queimaram pneus e gritaram "Morte aos Estados Unidos" e "Morte a Karzai".


Afegãos protestam contra morte de civis no país / AP

A força da Otan no Afeganistão (Isaf) admitiu que seus soldados mataram nesta segunda-feira quatro civis, entre eles uma mulher e uma criança, ao abrir fogo contra um ônibus que se aproximou de um comboio militar, e disse lamentar profundamente o ocorrido.

"A Isaf lamenta profundandamente a trágica perda de vidas nesta manhã no distrito de Zhari", indica um comunicado.

O incidente aconteceu em uma rodovia da província de Kandahar quando um ônibus de passageiros se aproximou de um comboio da Força Internacional de Assistência da Segurança (Isaf), sob comando da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), indicou o governador da província.

Os militares estrangeiros abriram fogo em circunstâncias ainda não esclarecidas. Os veículos blindados das forças internacionais têm um cartraz no qual advertem que os demais veículos não devem se aproximar.

O presidente afegão Hamid Karzai condenou o ocorrido. "Abrir fogo contra um ônibus vai contra os compromissos da Otan de proteger civis e não se justifica de maneira alguma", declarou Karzai, que condenou com firmeza o ataque em um comunicado.

* Com Reuters

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