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Homens gays e mulheres heterossexuais têm cérebro semelhante

LONDRES - Homossexuais do sexo masculino e mulheres heterossexuais apresentam algumas características comuns na área do cérebro responsável pela emoção, o humor e a ansiedade, afirmaram pesquisadores na segunda-feira, em um estudo que chama atenção para o substrato potencialmente biológico da sexualidade.

Reuters |

Tomografias do cérebro mostraram a mesma simetria entre as lésbicas e os homens heterossexuais, escreveram pesquisadores na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

'O resultado das observações não pode ser atribuído diretamente à percepção da realidade ou ao comportamento', afirmaram os cientistas, do Instituto Karolinska (Suécia).

'E continua a ser uma pergunta em aberto saber se essas características se verificaram durante o desenvolvimento fetal ou durante o desenvolvimento pós-natal.'

Vários estudos analisaram o papel de fatores genéticos, biológicos e ambientais na orientação sexual, mas poucas provas existem sobre qualquer um desses desempenhar um papel preponderante. Muitos cientistas acreditam que os fatores inatos e externos exercem influência.

Tomografias realizadas em 90 voluntários mostraram que o cérebro dos homens heterossexuais e das mulheres homossexuais é ligeiramente assimétrico, apresentando o hemisfério direito um pouco maior do que o esquerdo, disse os pesquisadores Ivanka Savic e Pers Lindstrom. O cérebro dos homossexuais do sexo masculino e das heterossexuais não apresentam essa assimetria.

Depois, os cientistas mediram o fluxo de sangue na amígdala cerebelar --uma área importante para os comportamentos agressivos-- e descobriram que ele contava com uma ramificação semelhante nos homens gays e nas mulheres heterossexuais, ao passo que apresentava outra forma entre as lésbicas e os homens heterossexuais.

Os pesquisadores acrescentaram que o estudo não consegue dizer se as diferenças na anatomia do cérebro são herdadas ou se decorrentes, por exemplo, da exposição a hormônios como a testosterona no útero e se são responsáveis pelas escolhas sexuais de uma pessoa.

Mas isso é algo que pretendem avaliar em um novo estudo a ser realizado com bebês recém-nascidos a fim de verificar se esse tipo de avaliação conseguirá ajudar a prever a orientação sexual deles no futuro.

'Essas observações nos motivam a realizar pesquisas mais amplas com grupos de estudo maiores e a buscar uma melhor compreensão da neurobiologia da homossexualidade', escreveram.

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