Homens de negócio estão por trás da pirataria, diz especialista

Nairóbi, 10 dez (EFE).- Homens de negócio do Quênia e de outros países também são parte da pirataria, afirmou em Nairóbi o diretor do Programa de Assistência Marítima (SAP, em inglês), Andrew Mwangura, à margem de uma conferência internacional para unir forças contra os ataques piratas, iniciada hoje nesta capital.

EFE |

"O emprego da força militar não é a solução", comentou em coletiva de imprensa Mwangura, em referência ao acordo da União Européia (UE) para lançar a chamada Missão Atalanta, a partir da qual serão enviados navios de guerra e aviões para vigiar as águas do golfo de Áden e o litoral da Somália.

A iniciativa, tal como o encontro entre representantes da ONU, a União Africana (UA) e distintas ONG realizado em Nairóbi, "não acabará com a pirataria caso não se corte o problema pela raiz e se fomenteo diálogo entre todas as partes, o que inclui as comunidades locais e os próprios piratas", destacou o diretor do SAP.

Segundo Mwangura, as atividades dos grupos piratas, "que cobram enormes quantidades de dólares pelos resgates", não existiria sem a infra-estrutura fornecida pelos "poderosos homens de negócios que estão por trás".

"Os verdadeiros piratas estão em Nairóbi, Dubai e Londres", comentou.

Esses peixes gordos, que Mwangura não especificou quem sejam, estão vinculados com os Governos de seus respectivos países, "se aproveitam, além disso, da pesca ilegal - que fatura US$ 96 milhões ao ano".

Segundo ele, se o lucro sustenta o negócio, a anarquia política na Somália, sem um Governo efetivo desde que o ditador Siad Barre foi derrubado em 1991, propicia a continuidade das atividades ilegítimas e garante sua impunidade.

"No início dos anos 90, os piratas só tratavam de proteger seus recursos. Agora é diferente, falamos de enormes quantidades de dinheiro", afirmou. EFE pa/rr

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