Homens casam-se na 1a cerimônia gay do Malaui e podem ser presos

LILONGWE (Reuters) - Dois homens malauianos tornaram-se o primeiro casal gay a se unir publicamente, informou o jornal The Nation na segunda-feira, arriscando serem presos no país conservador do sul da África, onde a homossexualidade é ilegal. Tiwonge Chimbalanga e Steven Monjeza se casaram numa cerimônia tradicional, mas simbólica, no sul do Malaui no sábado, atraindo centenas de curiosos.

Reuters |

"Nós nos conhecemos na igreja onde nós dois rezamos e estamos juntos há cinco meses... nunca me interessei por uma mulher", disse Monjeza ao jornal The Nation.

A homossexualidade é proibida no Malaui e pode acarretar em uma pena máxima de 14 anos de prisão.

"Acabei de ler sobre isso (o casamento) na imprensa e a lei no Malaui não permite esse tipo de prática e, portanto, a lei terá de ser aplicada", afirmou a procuradora-geral Jane Ansah à Reuters.

Três anos atrás a Igreja Anglicana enviou o bispo Nick Handerson, defensor dos direitos gays, para chefiar uma diocese no Malaui. A congregação não o aceitou, e os protestos levaram à morte de um membro da igreja.

A luta contra o HIV e a Aids, no entanto, lentamente está mudando a posição oficial contra os gays, e o governo fez sua primeira manifestação pública sobre homossexualismo em setembro, quando disse que os direitos gays precisavam ser reconhecidos para ajudar a combater a Aids.

O Centro para o Desenvolvimento das Pessoas (Cedep), uma organização local que trabalha com homossexuais, estima que 25 por cento dos homens gays do país sejam HIV positivos. O Ministério da Saúde do Malaui diz que o índice geral de infecção pelo HIV é de 12 por cento.

A Aids já matou mais de 800 mil pessoas no Malaui desde que o primeiro caso foi registrado em 1985 e deixou mais de um milhão de órfãos.

(Reportagem de Mabvuto Banda)

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