Homens armados matam 29 em Karachi durante eleições no Paquistão

Onda de violência começou na noite de sábado quando homens armados abriram fogo em várias áreas da cidade

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Pelo menos 29 pessoas morreram vítimas de tiros na metrópole de Karachi, no Paquistão, no fim de semana, aprofundando as tensões com as eleições realizadas para repor um parlamentar que foi assassinado em agosto.

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Eleitores em fila para votar nas eleições do Paquistão
A onda de violência começou na noite de sábado, quando homens armados abriram fogo em várias áreas da cidade de 18 milhões de habitantes, no sul do Paquistão. Ao menos 29 pessoas foram mortas, segundo a polícia.

A eleição foi realizada para substituir o parlamentar Raza Haider, membro do Movimento Muttahida Qaumi (MMQ), de situação, que foi assassinado a tiros há dois meses. O incidente resultou em violência generalizada, com 100 mortos em uma semana.

O MMQ acusa seu rival, o Partido Nacional Awami (PNA), da etnia minoritária pashtun, de realizar os ataques e matar alguns de seus membros. O PNA, que boicotou as pesquisas de opinião por temores de que estariam adulteradas, nega as alegações.

"Pouco depois de anunciar seu boicote da eleição, os terroristas do PNA começaram a matar cidadãos inocentes numa tentativa de sabotar o processo eleitoral", disse em nota o MMQ, que deverá ganhar as eleições com uma ampla vantagem.

Karachi tem uma longa história de violência étnica, religiosa e sectária. Centenas de assassinatos este ano aumentaram a apreensão de que a violência saia de controle e crie uma nova crise para o governo, que tem apoio dos Estados Unidos.

Além de tentar conter a violência em Karachi, o governo enfrenta uma insurgência do Taliban e a tarefa de reconstruir áreas devastadas pelas enchentes que causaram 9,7 bilhões de dólares em danos e afetarão negativamente a economia do país por anos.

Investidores do mercado de ações estão atentos às tensões em Karachi, que é a principal cidade portuária do país, sede da bolsa de valores e do banco central e principal ponto de entrada de suprimentos militares do Ocidente, que têm o Afeganistão como destino final.

A liderança do MMQ estava avaliando suas opções em reação à violência, incluindo a retirada do governo de coalizão da província, comandado pelo Partido Popular do Paquistão (PPP) do presidente Asif Ali Zardari, disse uma fonte. O partido fez ameaças semelhantes no passado.

O Ministério da Saúde de Karachi disse que pessoas de diferentes grupos étnicos e políticos foram atacadas em várias regiões no fim de semana para "arruinar a paz desta cidade".

O ministro de Assuntos Domésticos da província de Sind, cuja capital é Karachi, Zulfiqar Mirza, disse que 60 pessoas foram presas.

Karachi se tornou alvo de militantes da Al Qaeda depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos, quando o Paquistão se uniu a uma campanha liderada pelos EUA contra a militância e estrangeiros foram atacados na cidade em várias ocasiões.

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